Versão Completa: Protocolo MAI/Empresas TV
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Já não bastava parte dos nossos impostos sustentarem os gratificados das forças de segurança. Serviços efectuados por elementos a quem nós pagámos a formação, as armas, parte das fardas, os meios de locomoção e comunicação e que só privilegiam quem os pode pagar.

Temos agora mais uma modalidade de comparticipação do erário público às empresas que vendem caríssimo o seu produto. Refiro-me ao protocolo assinado pelo Ministro da Administração Interna e as Empresas de Segurança e a Associação Portuguesa de Bancos para o assegurar o transporte de valores.

Esse protocolo permite que as autoridades façam “Segurança” a viaturas de transporte de valores em zonas classificadas de risco elevado. Em troca, têm de equipar os seus veículos com sistemas de inutilização de notas e formar melhor os seus Agentes.

Mas o que ganhamos nós contribuintes com este protocolo? NADA! Só perdemos.

Lá vão mais uma vez os nossos impostos garantir a segurança do dinheiro que nos é vendido a "peso de ouro" pelos Bancos e que para o segurar, as Companhias de Seguros sugam-nos, reflectindo nos nossos prémios, sejam de que tipo for, as suas sempre muito ampliadas regras de análise de risco que redundam em valores pagos perfeitamente astronómicos e inversamente proporcionais ao que nos pagam e a muito custo quando precisamos e, na maioria das vezes, só após decisão judicial.

Que Ministro é este que se sente “confortado” (palavras dele) ao assinar um protocolo que retira mais policias da rua e os coloca a guardar quem deveria ter capacidades em toda a linha de se resguardar como é o caso das empresas de segurança?

Na minha modesta opinião, se não têm condições de guardar convenientemente o que lhes é colocado à guarda, então que se elimine este agente do circuito. Promova-se o pagamento/recebimento electrónico com mais ênfase, e quando for preciso transportar valores e numerário faça-se em larga escala e o mínimo de vezes possível e aí que se gastem então meios de policiamento para os guardar.

Se as empresas não quisessem lucrar muito com o mínimo investimento. Se cumprissem as regras mais básicas de segurança de transporte de valores: alterar os trajectos, dar uma volta de reconhecimento antes da operação apeada; à mínima suspeita não parar; equipassem as viaturas com sistemas de alarme e localização; equipassem os sacos e malas com dispositivos de localização e tantas outras coisas que de tão básicas quase nos esquecemos; não seria necessário este investimento público num sector privado de grande lucro.

Só através de um protocolo é que as empresas e instituições se decidem a “falar” entre si?

Será que os Directores de Operações, os responsáveis pela segurança bancária e de valores precisam de assinar um documento com o Governo onde se vai garantidamente gastar milhões de euros do erário público para “falarem” entre si, trocar experiências, efectuar estudos de riscos?

Então como têm feito?

Onde e como gastam os milhões de lucros anuais do transporte de valores?

O Sr. Ministro da Administração Interna congratulou-se em assinar com um sector extremamente lucrativo (muito por força do incumprimento da Legislação em vigor) um protocolo em que o dinheiro de todos nós vai sustentar os luxos de muito poucos?

Pois eu considero que se devia envergonhar.

O protocolo
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