Versão Completa: Bullyng mata
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Não comecei este texto ontem (dia da ocorrência) porque estava muito magoado. Hoje, depois de ler notícias somei ao sentimento de mágoa o da revolta. Mas entendi que o deveria começar hoje mesmo em memória do Leandro e por respeito a todos os “Leandros” deste País. Refiro-me à morte, por suicídio de uma criança de 12 anos que era vítima de bullyng.

Este é um problema para ao qual sou sensível, pois tenho um filho exactamente com a idade do menino que faleceu. Existem no Fórum dois textos sobre o assunto http://www.juliosantos.net/forum/showthr...t=bullying e http://www.juliosantos.net/forum/showthr...=bullying.

Este comportamento é uma “doença” da nossa sociedade. É como tal que tem de ser tratado.

É difícil abordar o assunto e não nos focarmos neste caso em concreto. O facto e que o Leandro já tinha pedido ajuda, já tinha feito queixa. Ou seja, ele fez a parte dele no processo, porque falharam os restantes responsáveis?

Tenho a minha opinião, decerto nada consensual, mas é a minha!

Comecemos por cima, pela maior responsabilidade:

- Legislador
Dormirão descansados os Senhores Políticos que defendem que as crianças não podem ser acusadas e condenadas pelos seus crimes?
Têm a consciência tranquila aqueles que passam para a Sociedade um sentimento de impunidade para aqueles que fazem dos atropelos à liberdade dos outros o seu modo de diversão?

- O Ministério da Educação
Tem planos de detecção e combate a este fenómeno?
Tem uma segurança adequada a cada Escola - para além dos sistemas de CFTV e reformados da Polícias, Guarda e Militares?

- Os Pais
Ensinam os seus filhos a ter comportamentos cívicos para com os seus semelhantes?
Explicam aos seus filhos o que fazer caso sejam vítimas do fenómeno?
Instruem as suas crianças a denunciar e como denunciar estas situações?

- Os Professores
Têm formação para lidar com o bullying?
Estão totalmente focalizados na razão da sua existência enquanto profissionais, os Alunos?

Não tenho respostas para estas questões. Possivelmente ninguém terá.

Alguns dos que vão ler este texto vão considera-lo “populista”, adjectivo agora muito utilizado para quando não queremos ver as coisas como na realidade são, mas sim escondidas atrás de eufemismos e “salamaleques”.

Hoje: ameaça-se com armas na Escola; mata-se na Escola; morre-se na Escola.

Esta é uma realidade incontornável. Alguém tem de fazer algo. Fiz a minha parte, partilhei conhecimentos, pedi ajuda e pareceres de especialistas, tentei passar a mensagem ao meu filho para que respeite os outros, não se torne vitima e denuncie todos os casos que tenha conhecimento.

Desejo, com todas as minhas forças, que ele tenha ouvido os meus conselhos e no dia em que ele quiser denunciar uma situação destas, alguém no meu País o oiça, ao contrário do que fizeram com o Leandro.
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