Versão Completa: Segurança em pequenos Centros COmerciais
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O meu nome é Álvaro Mota, tenho 38 anos, sou casado, tenho 1 filho. A minha profissão é responsável pela segurança de um pequeno centro comercial no centro do País. Conheci o autor desta página através das suas publicações e depois de alguns contactos para esclarecer algumas dúvidas fui convidado a escrever este texto que denominei:

A Segurança nos pequenos Centros Comerciais
Quando iniciei estas funções existiam no CC três elementos contratados a tempo inteiro para fazer segurança que eram reforçados, nas épocas de maior afluência de público, por dois elementos da GNR reformados.
Nenhum dos elementos sabia, por exemplo, utilizar um extintor e o que fazer em caso de evacuação.
Estas e outras preocupações demonstradas pelos lojistas forçaram a Administração do Centro a repensar a segurança. Um dos elementos ficou na secretaria da Administração e dos outros dois, um reformou-se e o outro encontrou emprego numa empresa de segurança privada.
Fui contratado para gerir a segurança do CC quando desempenhava funções de supervisor de uma empresa de segurança privada, que tinha sido criada havia pouco tempo e prestava serviços, essencialmente à Câmara Municipal. Dizia-se à boca pequena que também não havia interesse de concorrer a mais nenhum cliente, talvez por isso já tenha falido.
Quando iniciei funções foi-me colocado o desafio de alterar algumas práticas e repensar toda a segurança. Comecei por me informar sobre segurança electrónica que era uma área que não entendia muito. Tive a sorte de poder contar com a colaboração de um técnico da empresa que então prestava a manutenção aos sistemas do CC. A empresa para quem trabalhava também faliu, e o Carlos lá ficou pelo CC a recibos verdes mais cerca de dois anos até ter emigrado, creio que para Espanha.
Nunca mais se conseguiu encontrar um técnico com aquelas competências das empresas que temos contratado, ou tentam impor-nos os seus sistemas, dizendo que os nossos já não servem, ou então enviam técnicos tão maus que temos de ser nós a ensinar-lhes coisas tão banais como o funcionamento de comunicação de uma central de detecção de incêndios.
No que respeita aos Vigilantes as coisas não são melhores. As verbas que são colocadas à nossa disposição são insuficientes para se contratar postos pelo justo valor, assim, as empresas além de colocarem o pessoal a fazer muitas horas, nunca menos de 12 por dia, não lhes dão nenhum apoio e, na maior parte das vezes somos nós que rendemos os vigilantes para eles poderem ter uma refeição de 30 minutos numa das lojas do CC.
Na minha opinião deveria existir mais fiscalização. Dessa forma quem contrata os serviços tinha de pagar o justo valor, quem presta o serviço tinha de apoiar os seus colaboradores e os vigilantes tinham mais cuidado com a sua formação e apresentação.
Também as pessoas que como eu têm de gerir a segurança em locais como aquele onde desempenho funções deveriam ter acesso a mais formação específica.
No meu caso procuro informar-me o mais possível, mas não tenho ao meu dispor todos os recursos que necessito para fazer bem o meu trabalho. Os lojistas já consideram que pagam muito de condomínio, alguns até já fecharam as portas, desde o princípio do ano já foram três e não fica por aqui, mas acho que se não houver investimento, não há clientes e assim sucessivamente.
Fiquemos a aguardar melhores condições para todos. Estou em querer que se houver qualquer coisa grave em Portugal, todos começam a ver e a investir na segurança de maneira diferente.
Alvaro Mota
Fev2008
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