19-03-2008, 03:41 PM
Nos dias de hoje em que pelos piores motivos, se fala nos meios de comunicação em gases, seria talvez útil aclararmos alguns aspectos.
Primeiro que tudo tanto quanto sei a legislação em vigor que rege a área da instalação, distribuição e demais vertentes desta área é bastante actual e rigorosa, bem como as medidas de inspecção preconizadas. No prédio onde resido à cerca de um mês o condomínio decidiu mudar para gás natural e pude apreciar o trabalho dos técnicos. E se hoje em dia for assim pelo país afora estamos em boas mãos.
No entanto haverá como em todas as profissões profissionais mais ou menos competentes, mas o problema maior será o de certas empresas para cortar custos, utilizam condutas e sistemas que não estão adequados ao gás natural (vimos situações dessas ocorrerem em Lisboa, e não só), e evitar manutenções/substituições. Mais uma vez acredito que a maioria das empresas do sector são sérias e competentes, mas como em todos os sectores o bom convive com o menos bom.
Por fim o que realmente quero chamar à atenção é que em todos os temas a segurança começa em nós (eu sei!...é uma frase feita, mas não é por ser uma frase feita que deixa de ser verdade, isso às vezes acontece). Começar por desligar o gás ao sair de casa, ou no caso de sentir cheiro a gás não ligar a iluminação ou qualquer outra fonte de ignição (isqueiro, fósforos, electrodomésticos, etc.), arejar a casa e desligar a torneira central do gás e em caso de dúvida chamar a empresa fornecedora e os bombeiros, pode fazer a diferença entre a vida e a morte. Pois os gases fornecidos para utilização doméstica são explosivos. E essa é uma das vertentes, se bem que muitas das notícias que vêm a lume têm a ver com esse assassino silencioso, o monóxido de carbono.
Na nossa habitação o importante é respeitar estas regras e efectuar as inspecções previstas por lei. No entanto muitos de nós temos por hábito resolver os pequenos problemas de bricolage, pois é mais barato, porque “eu sei como se faz”, e não nos dirigimos aos técnicos competentes. O esquentador desliga-se com frequência? basta uma pequena operação (que por razões óbvias não vou dizer como é), e já não o faz. Esquecem-se é que se ele se desliga é porque há compressão de gases e se o faz é por uma questão de SEGURANÇA, a acumulação de gases é perigosa.
O monóxido de carbono (CO), é um gás muito perigoso e em poucos segundos a concentração num espaço fechado é suficiente para adormecer um adulto, começa a circular na corrente sanguínea e quando damos por isso estamos literalmente a respirar CO e não Oxigénio, para o que o nosso organismo não está preparado para fazer, daí ser chamada a “morte doce”; fica sonolento e morre sem dar conta.
O colocar o esquentador na casa de banho porque “é mais perto e aquece melhor”, “não necessita de tanta tubagem”, é outro erro que leva às consequências atrás descritas.
Passemos agora às indústrias; os problemas que se deparam são similares ainda que a outra escala. Tentativas de economizar que levam a descurar procedimentos de segurança, a facilitar, a deixar para amanhã o investimento que devia ser feito hoje. E aí os problemas aumentam de forma exponencial, pois já não temos apenas o perigo do CO ou de gases explosivos que podemos ter em casa.
Nas indústrias temos gases explosivos com limites inferiores de explosividade mais baixos, gases com níveis de toxicidade elevada a concentrações muito reduzidas, bem como situações de insuficiência ou mesmo ausência de O2. Estratificados de forma diferente, com densidades superiores, equivalente ou inferiores ao ar ambiente.
A minha experiência diz-me que algumas situações não deram mau resultado até agora apenas por sorte. No entanto é de salientar que muitas empresas, serviços municipais de protecção civil e associações de bombeiros, entre outras entidades, estão cada vez mais alerta para os perigos dos gases e investem cada vez mais em meios humanos através da formação e aquisição de conhecimentos, quer através de meios técnicos, i.e. material.
Decidi de uma forma mais ligeira trazer alguns conceitos e se possível no futuro aprofundá-los neste espaço para os que estiverem interessados, nomeadamente sobre a teoria geral dos gases, detectores portáteis e fixos de gases, analisadores, etc.…, mas para já é apenas um ALERTA.
O objectivo destas linhas foi apenas o de uma vez mais alertar para os perigos dos gases e tentar consciencializar o público em geral para o que é necessário fazer para evitar o que aconteceu a várias famílias, várias escolas e a vários prédios no ano transacto.
Raul Marques
MAR2008
Primeiro que tudo tanto quanto sei a legislação em vigor que rege a área da instalação, distribuição e demais vertentes desta área é bastante actual e rigorosa, bem como as medidas de inspecção preconizadas. No prédio onde resido à cerca de um mês o condomínio decidiu mudar para gás natural e pude apreciar o trabalho dos técnicos. E se hoje em dia for assim pelo país afora estamos em boas mãos.
No entanto haverá como em todas as profissões profissionais mais ou menos competentes, mas o problema maior será o de certas empresas para cortar custos, utilizam condutas e sistemas que não estão adequados ao gás natural (vimos situações dessas ocorrerem em Lisboa, e não só), e evitar manutenções/substituições. Mais uma vez acredito que a maioria das empresas do sector são sérias e competentes, mas como em todos os sectores o bom convive com o menos bom.
Por fim o que realmente quero chamar à atenção é que em todos os temas a segurança começa em nós (eu sei!...é uma frase feita, mas não é por ser uma frase feita que deixa de ser verdade, isso às vezes acontece). Começar por desligar o gás ao sair de casa, ou no caso de sentir cheiro a gás não ligar a iluminação ou qualquer outra fonte de ignição (isqueiro, fósforos, electrodomésticos, etc.), arejar a casa e desligar a torneira central do gás e em caso de dúvida chamar a empresa fornecedora e os bombeiros, pode fazer a diferença entre a vida e a morte. Pois os gases fornecidos para utilização doméstica são explosivos. E essa é uma das vertentes, se bem que muitas das notícias que vêm a lume têm a ver com esse assassino silencioso, o monóxido de carbono.
Na nossa habitação o importante é respeitar estas regras e efectuar as inspecções previstas por lei. No entanto muitos de nós temos por hábito resolver os pequenos problemas de bricolage, pois é mais barato, porque “eu sei como se faz”, e não nos dirigimos aos técnicos competentes. O esquentador desliga-se com frequência? basta uma pequena operação (que por razões óbvias não vou dizer como é), e já não o faz. Esquecem-se é que se ele se desliga é porque há compressão de gases e se o faz é por uma questão de SEGURANÇA, a acumulação de gases é perigosa.
O monóxido de carbono (CO), é um gás muito perigoso e em poucos segundos a concentração num espaço fechado é suficiente para adormecer um adulto, começa a circular na corrente sanguínea e quando damos por isso estamos literalmente a respirar CO e não Oxigénio, para o que o nosso organismo não está preparado para fazer, daí ser chamada a “morte doce”; fica sonolento e morre sem dar conta.
O colocar o esquentador na casa de banho porque “é mais perto e aquece melhor”, “não necessita de tanta tubagem”, é outro erro que leva às consequências atrás descritas.
Passemos agora às indústrias; os problemas que se deparam são similares ainda que a outra escala. Tentativas de economizar que levam a descurar procedimentos de segurança, a facilitar, a deixar para amanhã o investimento que devia ser feito hoje. E aí os problemas aumentam de forma exponencial, pois já não temos apenas o perigo do CO ou de gases explosivos que podemos ter em casa.
Nas indústrias temos gases explosivos com limites inferiores de explosividade mais baixos, gases com níveis de toxicidade elevada a concentrações muito reduzidas, bem como situações de insuficiência ou mesmo ausência de O2. Estratificados de forma diferente, com densidades superiores, equivalente ou inferiores ao ar ambiente.
A minha experiência diz-me que algumas situações não deram mau resultado até agora apenas por sorte. No entanto é de salientar que muitas empresas, serviços municipais de protecção civil e associações de bombeiros, entre outras entidades, estão cada vez mais alerta para os perigos dos gases e investem cada vez mais em meios humanos através da formação e aquisição de conhecimentos, quer através de meios técnicos, i.e. material.
Decidi de uma forma mais ligeira trazer alguns conceitos e se possível no futuro aprofundá-los neste espaço para os que estiverem interessados, nomeadamente sobre a teoria geral dos gases, detectores portáteis e fixos de gases, analisadores, etc.…, mas para já é apenas um ALERTA.
O objectivo destas linhas foi apenas o de uma vez mais alertar para os perigos dos gases e tentar consciencializar o público em geral para o que é necessário fazer para evitar o que aconteceu a várias famílias, várias escolas e a vários prédios no ano transacto.
Raul Marques
MAR2008