17-08-2008, 10:07 AM
Após dois meses de interregno voltamos abordar, neste espaço, do tema “Gestão da Segurança”.
Alguns leitores têm-nos questionado do porquê do destaque dado à gestão da Componente Humana do Modelo de Segurança (CHMS) em detrimento de outras componentes como, p.e. os circuitos fechados de televigilância (sistemas agora tão em voga pela visibilidade dada pelos media). A nossa intenção é abordar todos os Componentes de um Modelo de Segurança (assim tenhamos tempo), optámos por dar a primazia e o destaque que entendemos serem merecidos pela CHMS.
É um facto que a gestão da CHMS, devido a um conjunto de factores, é a parte mais complexa da Gestão da Segurança como p.e.:
- Motivações e intervenientes – O que motiva o lançamento do concurso. A quantidade e qualidade das empresas consultadas. As instalações e postos a concurso;
- Valores monetários envolvidos – Grandes concursos envolvem grandes verbas e por conseguinte devem ser muito rigorosos e, se possível, auditados;
- Tipologia de postos – Existem organizações que devido à diversidade e tipologia de instalações que dispõem, assim devem ter os Agentes de Segurança Privada (ASP) adequados a cada posto (p.e. as Câmaras Municipais, as Grandes Distribuidoras, que têm instalações administrativas, armazéns, estaleiros e até obras);
- Rotinas e procedimentos a cumprir – Cada tipo de posto tem as suas rotinas procedimentos próprios. Conforme descrito no ponto anterior não podem nem devem ser iguais para a recepção da Administração ou para o acesso a um armazém ou obra.
O Componente Humano é, sem dúvida, do Modelo de Segurança, o mais meticuloso e o que exige maior atenção por parte dos Gestores da Segurança.
No último artigo sobre o tema tínhamos abordado a responsabilidade do adjudicatário na contratação dos serviços de Segurança Privada, deixando expressos alguns princípios a respeitar na concepção de um Caderno de Encargos (CE).
No mesmo artigo também fizemos referência ao Plano de Trabalhos.
Na fase das negociações este documento, cuja elaboração é da responsabilidade das empresas concorrentes, deve merecer por parte do adjudicatário a melhor atenção. Uma análise menos rigorosa do Plano de Trabalhos pode redundar, no decorrer do cumprimento do contrato em obstáculo inultrapassáveis.
O Contrato a celebrar entre as partes deve ter como base o seguinte conjunto de documentos:
- O Caderno de Encargos – que deverá definir, inequivocamente, as pretensões do cliente;
- O Plano de Trabalhos - que atesta a capacidade de resposta da empresa consultada em satisfazer essas pretensões.
Enfatizo a ideia de que uma empresa prestadora de serviços de Segurança Privada que responde a um concurso que tem por base um CE deve apresentar junto com a proposta, um rigoroso Plano de Trabalhos.
A elaboração de um Plano de Trabalhos obriga, entre outras diligências, a que a empresa concorrente solicite ao potencial cliente visitas detalhadas às instalações.
Nessas visitas deve recolher informação sobre a tipologia dos postos a prover, os seus objectivos e os meios que serão colocados ao dispor dos Agentes de Segurança Privada (ASP) para o cumprimento da missão.
Só na posse dessa informação, a potencial empresa fornecedora do serviço estará suficientemente documentada para, p.e.:
- Seleccionar o perfil e número de ASP adequado a cada posto;
- O tipo de fardamento, adequado a cada posto;
- A formação adicional necessária (cujos custos sugerimos sejam divididos entre as partes).
Um elemento do Departamento Operacional da empresa consultada deverá tomar conhecimento prévio dos instrumentos que cada posto dispõem. É importante observar, entre outras situações:
- Se o cliente tem meios de comunicação, como p.e. uma rede rádio ou se terá de ser a empresa prestadora de serviços a fornecer esse equipamento. Neste caso implica saber junto das entidades competentes se existem na zona mais operadores a utilizar sistemas de rádio. O objectivo é evitar quer interferências nas comunicações, quer a partilha indevida de informação;
- Aperceber-se se todos os postos dispõem de procedimentos de actuação para situações normais e de emergência; escritos e validados (é vulgar que sejam os ASP que prestam serviço no posto a escrever procedimentos, mas nem sempre estão ou são validados pelo cliente);
- Acautelar a existência de instalações, condignas, para os ASP como balneários e ou locais para a tomada de refeições;
A informação recolhida para a elaboração do Plano de Trabalhos pode condicionar os valores da proposta a apresentar; razão pela qual as visitas devem ser efectuadas com muita precisão.
Notas finais[i]
[align=justify]- Seria muito importante que em sede própria as empresas acordassem entre si a forma de apresentar uma proposta e o respectivo Plano de Trabalhos. Essa metodologia evitava situações em que por omissão existissem empresas beneficiadas quando primeiro factor decisivo é o custo em detrimento da qualidade.
- Baseado na minha experiência da contratação e gestão da CHMS estou convicto de que os Planos de Trabalhos, (que devem acompanhar sempre as propostas), serão melhor elaborados pelas empresas prestadoras de serviços de Segurança Privada que conseguirem ultrapassar os “eternos” diferendos internos dos Departamentos Operacional e Comercial. Quando todas as empresas tiverem resolvido este “conflito” interno estarão, sem dúvidas a dar passos em frente na melhoria da prestação do serviço de segurança aos seus clientes.
- Quando se recorre à troca de empresas para a prestação de serviços de Segurança privada, a substituição deve ser efectuada gradualmente e nunca abruptamente. A selecção dos ASP a permanecer nos postos (os que trocam de empresa) deve ser muito criteriosa. Sugere-se que as substituições ocorram às 24h do dia 31 de Dezembro; é óbvio que a escolha deve recair sobre uma hora/dia de expediente reduzido, mas nunca o último dia/hora do ano, pois trata-se de uma noite de festa e por esse facto aumenta a probabilidade de um acompanhamento deficiente ao arranque do serviço, quer por parte da empresa prestadora, quer por parte do cliente.
Alguns leitores têm-nos questionado do porquê do destaque dado à gestão da Componente Humana do Modelo de Segurança (CHMS) em detrimento de outras componentes como, p.e. os circuitos fechados de televigilância (sistemas agora tão em voga pela visibilidade dada pelos media). A nossa intenção é abordar todos os Componentes de um Modelo de Segurança (assim tenhamos tempo), optámos por dar a primazia e o destaque que entendemos serem merecidos pela CHMS.
É um facto que a gestão da CHMS, devido a um conjunto de factores, é a parte mais complexa da Gestão da Segurança como p.e.:
- Motivações e intervenientes – O que motiva o lançamento do concurso. A quantidade e qualidade das empresas consultadas. As instalações e postos a concurso;
- Valores monetários envolvidos – Grandes concursos envolvem grandes verbas e por conseguinte devem ser muito rigorosos e, se possível, auditados;
- Tipologia de postos – Existem organizações que devido à diversidade e tipologia de instalações que dispõem, assim devem ter os Agentes de Segurança Privada (ASP) adequados a cada posto (p.e. as Câmaras Municipais, as Grandes Distribuidoras, que têm instalações administrativas, armazéns, estaleiros e até obras);
- Rotinas e procedimentos a cumprir – Cada tipo de posto tem as suas rotinas procedimentos próprios. Conforme descrito no ponto anterior não podem nem devem ser iguais para a recepção da Administração ou para o acesso a um armazém ou obra.
O Componente Humano é, sem dúvida, do Modelo de Segurança, o mais meticuloso e o que exige maior atenção por parte dos Gestores da Segurança.
No último artigo sobre o tema tínhamos abordado a responsabilidade do adjudicatário na contratação dos serviços de Segurança Privada, deixando expressos alguns princípios a respeitar na concepção de um Caderno de Encargos (CE).
No mesmo artigo também fizemos referência ao Plano de Trabalhos.
Na fase das negociações este documento, cuja elaboração é da responsabilidade das empresas concorrentes, deve merecer por parte do adjudicatário a melhor atenção. Uma análise menos rigorosa do Plano de Trabalhos pode redundar, no decorrer do cumprimento do contrato em obstáculo inultrapassáveis.
O Contrato a celebrar entre as partes deve ter como base o seguinte conjunto de documentos:
- O Caderno de Encargos – que deverá definir, inequivocamente, as pretensões do cliente;
- O Plano de Trabalhos - que atesta a capacidade de resposta da empresa consultada em satisfazer essas pretensões.
Enfatizo a ideia de que uma empresa prestadora de serviços de Segurança Privada que responde a um concurso que tem por base um CE deve apresentar junto com a proposta, um rigoroso Plano de Trabalhos.
A elaboração de um Plano de Trabalhos obriga, entre outras diligências, a que a empresa concorrente solicite ao potencial cliente visitas detalhadas às instalações.
Nessas visitas deve recolher informação sobre a tipologia dos postos a prover, os seus objectivos e os meios que serão colocados ao dispor dos Agentes de Segurança Privada (ASP) para o cumprimento da missão.
Só na posse dessa informação, a potencial empresa fornecedora do serviço estará suficientemente documentada para, p.e.:
- Seleccionar o perfil e número de ASP adequado a cada posto;
- O tipo de fardamento, adequado a cada posto;
- A formação adicional necessária (cujos custos sugerimos sejam divididos entre as partes).
Um elemento do Departamento Operacional da empresa consultada deverá tomar conhecimento prévio dos instrumentos que cada posto dispõem. É importante observar, entre outras situações:
- Se o cliente tem meios de comunicação, como p.e. uma rede rádio ou se terá de ser a empresa prestadora de serviços a fornecer esse equipamento. Neste caso implica saber junto das entidades competentes se existem na zona mais operadores a utilizar sistemas de rádio. O objectivo é evitar quer interferências nas comunicações, quer a partilha indevida de informação;
- Aperceber-se se todos os postos dispõem de procedimentos de actuação para situações normais e de emergência; escritos e validados (é vulgar que sejam os ASP que prestam serviço no posto a escrever procedimentos, mas nem sempre estão ou são validados pelo cliente);
- Acautelar a existência de instalações, condignas, para os ASP como balneários e ou locais para a tomada de refeições;
A informação recolhida para a elaboração do Plano de Trabalhos pode condicionar os valores da proposta a apresentar; razão pela qual as visitas devem ser efectuadas com muita precisão.
Notas finais[i]
[align=justify]- Seria muito importante que em sede própria as empresas acordassem entre si a forma de apresentar uma proposta e o respectivo Plano de Trabalhos. Essa metodologia evitava situações em que por omissão existissem empresas beneficiadas quando primeiro factor decisivo é o custo em detrimento da qualidade.
- Baseado na minha experiência da contratação e gestão da CHMS estou convicto de que os Planos de Trabalhos, (que devem acompanhar sempre as propostas), serão melhor elaborados pelas empresas prestadoras de serviços de Segurança Privada que conseguirem ultrapassar os “eternos” diferendos internos dos Departamentos Operacional e Comercial. Quando todas as empresas tiverem resolvido este “conflito” interno estarão, sem dúvidas a dar passos em frente na melhoria da prestação do serviço de segurança aos seus clientes.
- Quando se recorre à troca de empresas para a prestação de serviços de Segurança privada, a substituição deve ser efectuada gradualmente e nunca abruptamente. A selecção dos ASP a permanecer nos postos (os que trocam de empresa) deve ser muito criteriosa. Sugere-se que as substituições ocorram às 24h do dia 31 de Dezembro; é óbvio que a escolha deve recair sobre uma hora/dia de expediente reduzido, mas nunca o último dia/hora do ano, pois trata-se de uma noite de festa e por esse facto aumenta a probabilidade de um acompanhamento deficiente ao arranque do serviço, quer por parte da empresa prestadora, quer por parte do cliente.