20-08-2009, 11:01 PM
Há uns meses escrevi algo sobre esta gripe que agora traz toda a gente de cabelos em pé: a H1N1.
A minha convicção é que esta gripe tem um objectivo social à escala mundial. Como não pegou a das “galinhas” (também andava toda a gente assustada, lembram-se?), focalizaram-se na dos “porcos”. No entanto, permanece na minha cabeça a dúvida: qual será o objectivo?
Quando reparo nas instruções do que pode, ou não, ser feito, focalizo-me, naturalmente no facto de me ser indicado que devo evitar os contactos directos com as pessoas.
Temo que a gripe H1N1, em conjunto com outras doenças transmissíveis já conhecidas e outras tantas (inventadas ou não) que venham a aparecer, tenha o dom de inibir, de todo, o contacto directo entre as pessoas.
Alguns sociólogos já referem nos seus estudos a perigosidade do aumento da ausência de contacto entre as pessoas. Os encontros são cada vez mais virtuais. Faz-se mais “amor” virtual que presencial; os amigos agora estão do lado de lá do fio, misturados na amálgama de desconhecidos que são as redes sociais na internet, pessoas que nunca vimos, nunca cheirámos, nunca sentimos, mas a quem chamamos de “amigos”; as consultas médicas e intervenções cirúrgicas já podem ser efectuadas em parte por computador; o teletrabalho cresce 30% ao ano.
Tudo leva a crer que mais uma vez a ficção se transformará em realidade. Alguns lembrar-se-ão do filme: “O Demolidor” com interpretações de Silvester Stalone e Wesley Snipes e Sandra Bullock e cuja estória retrata a necessidade de conservar, a qualquer preço, uma sociedade em que tudo parece perfeito; supostamente tudo vivia na total harmonia. Porém, não existiam contactos directos entre as pessoas, o sexo era virtual (ainda que estivessem presentes os intervenientes), eram proibidos os cumprimentos de mão e beijos?...nem vê-los.
O motivo? A possibilidade de ser contaminado com uma doença transmissível. No entanto, no subsolo dessa cidade, quase perfeita, existia uma comunidade que fazia a apologia do contacto entre as pessoas apesar do que daí pudesse advir.
Um facto actual e muito real é que uma franja da sociedade já defende, há anos, essa impessoalidade do contacto. O beijo na mão da senhora, quando não se conhece, é dado no nosso dedo, os dois beijos na face, como cumprimento, foram substituídos por apenas um e os românticos beijos na boca (de língua, como dizem os Brasileiros), foram transformados em “chochos” sem gosto e em que os lábios mal se tocam.
Uma realidade desta gripe é que dela ninguém morre. Morre-se de complicações que a gripe desenvolve noutras patologias já existentes no contaminado, mas isso também acontece com as convencionais gripes anuais.
Pessoalmente, fui operado a três coronárias, tenho uma diverticulite controlada, artroses normais da idade e possivelmente também não estarei muito bem dos neurónios por estar a escrever este texto, mas se for para ser contaminado, que seja por cumprimentar as pessoas que conheço e gosto.
Não me proíbam de apertar fortemente uma mão amiga, sentir um perfume conhecido, ou não, de uma amiga quando a beijo (com dois beijos), não me obriguem a fugir para mais de um metro de todos os que me rodeiam (excepto dos que cheiram mal porque esses, na maioria, é uma opção).
Quero estar em contacto com as pessoas com todos os riscos daí inerentes. Estou convicto que morro muito mais depressa e muito mais triste se morrer isolado e medroso do que se apanhar a H1N1 que é uma coisa que ainda não percebi a quem serve e porque serve.
Se me permitem, sugiro-vos que se cumprimentem, beijem, abracem, porque o conforto humano é a melhor cura para doenças muito mais graves que a gripe, como por exemplo: a solidão, a depressão, o desprezo, a falta de atenção, a falta de reconhecimento profissional e pessoal. Essas sim são doenças que matam e muito mais pessoas diariamente que a gripe H1N1. Todavia, sobre estes males a população sabe muito pouco ou nada e/ou então não reflecte.
Porque mesmo com todos os cuidados, basta uma falha do tal “Sistema muito bem montado” ou de um dos “Planos de Contingência” e lá estão vocês a espirrar, com febre, dores de garganta e diarreia. Tudo coisas boas para não sair de casa; como já acontecia antes de estes sintomas terem um nome pomposo e com honras de abertura de todos os jornais televisivos e radiofónicos.
Para terminar, deixo-vos estas questões:
- Quantas pessoas morrem por dia de malária?
- Quantas pessoas morrem por dia de cólera?
Para estas doenças não há planos de contingência, nem tão pouco linhas de apoio e também não existem centros de atendimento urgente e contínuo, apenas hospitais degradados onde se espera que a morte verdadeira chegue.
Só para citar duas daquelas doenças cuja metade da preocupação e dos investimentos mundiais efectuados actualmente na Gripe H1N1, erradicavam de todo do planeta. A diferença é que as doenças atrás descritas raramente afectam os países ocidentais, ricos, preconceituosos e medrosos.
A minha convicção é que esta gripe tem um objectivo social à escala mundial. Como não pegou a das “galinhas” (também andava toda a gente assustada, lembram-se?), focalizaram-se na dos “porcos”. No entanto, permanece na minha cabeça a dúvida: qual será o objectivo?
Quando reparo nas instruções do que pode, ou não, ser feito, focalizo-me, naturalmente no facto de me ser indicado que devo evitar os contactos directos com as pessoas.
Temo que a gripe H1N1, em conjunto com outras doenças transmissíveis já conhecidas e outras tantas (inventadas ou não) que venham a aparecer, tenha o dom de inibir, de todo, o contacto directo entre as pessoas.
Alguns sociólogos já referem nos seus estudos a perigosidade do aumento da ausência de contacto entre as pessoas. Os encontros são cada vez mais virtuais. Faz-se mais “amor” virtual que presencial; os amigos agora estão do lado de lá do fio, misturados na amálgama de desconhecidos que são as redes sociais na internet, pessoas que nunca vimos, nunca cheirámos, nunca sentimos, mas a quem chamamos de “amigos”; as consultas médicas e intervenções cirúrgicas já podem ser efectuadas em parte por computador; o teletrabalho cresce 30% ao ano.
Tudo leva a crer que mais uma vez a ficção se transformará em realidade. Alguns lembrar-se-ão do filme: “O Demolidor” com interpretações de Silvester Stalone e Wesley Snipes e Sandra Bullock e cuja estória retrata a necessidade de conservar, a qualquer preço, uma sociedade em que tudo parece perfeito; supostamente tudo vivia na total harmonia. Porém, não existiam contactos directos entre as pessoas, o sexo era virtual (ainda que estivessem presentes os intervenientes), eram proibidos os cumprimentos de mão e beijos?...nem vê-los.
O motivo? A possibilidade de ser contaminado com uma doença transmissível. No entanto, no subsolo dessa cidade, quase perfeita, existia uma comunidade que fazia a apologia do contacto entre as pessoas apesar do que daí pudesse advir.
Um facto actual e muito real é que uma franja da sociedade já defende, há anos, essa impessoalidade do contacto. O beijo na mão da senhora, quando não se conhece, é dado no nosso dedo, os dois beijos na face, como cumprimento, foram substituídos por apenas um e os românticos beijos na boca (de língua, como dizem os Brasileiros), foram transformados em “chochos” sem gosto e em que os lábios mal se tocam.
Uma realidade desta gripe é que dela ninguém morre. Morre-se de complicações que a gripe desenvolve noutras patologias já existentes no contaminado, mas isso também acontece com as convencionais gripes anuais.
Pessoalmente, fui operado a três coronárias, tenho uma diverticulite controlada, artroses normais da idade e possivelmente também não estarei muito bem dos neurónios por estar a escrever este texto, mas se for para ser contaminado, que seja por cumprimentar as pessoas que conheço e gosto.
Não me proíbam de apertar fortemente uma mão amiga, sentir um perfume conhecido, ou não, de uma amiga quando a beijo (com dois beijos), não me obriguem a fugir para mais de um metro de todos os que me rodeiam (excepto dos que cheiram mal porque esses, na maioria, é uma opção).
Quero estar em contacto com as pessoas com todos os riscos daí inerentes. Estou convicto que morro muito mais depressa e muito mais triste se morrer isolado e medroso do que se apanhar a H1N1 que é uma coisa que ainda não percebi a quem serve e porque serve.
Se me permitem, sugiro-vos que se cumprimentem, beijem, abracem, porque o conforto humano é a melhor cura para doenças muito mais graves que a gripe, como por exemplo: a solidão, a depressão, o desprezo, a falta de atenção, a falta de reconhecimento profissional e pessoal. Essas sim são doenças que matam e muito mais pessoas diariamente que a gripe H1N1. Todavia, sobre estes males a população sabe muito pouco ou nada e/ou então não reflecte.
Porque mesmo com todos os cuidados, basta uma falha do tal “Sistema muito bem montado” ou de um dos “Planos de Contingência” e lá estão vocês a espirrar, com febre, dores de garganta e diarreia. Tudo coisas boas para não sair de casa; como já acontecia antes de estes sintomas terem um nome pomposo e com honras de abertura de todos os jornais televisivos e radiofónicos.
Para terminar, deixo-vos estas questões:
- Quantas pessoas morrem por dia de malária?
- Quantas pessoas morrem por dia de cólera?
Para estas doenças não há planos de contingência, nem tão pouco linhas de apoio e também não existem centros de atendimento urgente e contínuo, apenas hospitais degradados onde se espera que a morte verdadeira chegue.
Só para citar duas daquelas doenças cuja metade da preocupação e dos investimentos mundiais efectuados actualmente na Gripe H1N1, erradicavam de todo do planeta. A diferença é que as doenças atrás descritas raramente afectam os países ocidentais, ricos, preconceituosos e medrosos.