Júlio Santos

Versão completa: As Praias e a Segurança
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No fim-de-semana de 23 e 24 de Maio morreram seis pessoas nas praias portuguesas. A maioria das vítimas era jovem.

Esta constatação é preocupante e muito similar à dos acidentes de automóvel. Proporcionalmente os jovens são as vítimas mais numerosas.

Claro que a inconsequência inerente à idade é um factor preponderante para o desfecho destes acidentes, mas não podemos omitir a ausência de educação em segurança nas escolas.

O nosso país não tem ameaças de monta. Logo, a componente segurança não faz parte da educação das crianças e jovens. É verdade que alguns currículos escolares já incluem matérias que preconizam a segurança, mas ainda são muito deficitários.

Os próprios pais ainda crêem que “essas coisas” só acontecem aos outros ou então são sensacionalismos de algumas televisões e jornais, esse é o motivo pelo qual também facilitam, quer na educação, quer na preocupação e acompanhamento.

Precisamos urgentemente de dotar o sistema de ensino de currículos adequados aos perigos que espreitam as crianças e jovens do nosso país.

Voltando ao tema da “segurança nas praias”, importa que os responsáveis assumam as suas responsabilidades. Não só nestas mortes como em outras que, a manter o conceito de “época balnear”, vão acontecer por esse Portugal fora neste e nos próximos anos.

Quando é que deixamos de ter “épocas” para tudo? É época dos “fogos”, é época “balnear”, época disto, época daquilo. Quando deixarmos de ter épocas, vamos passar a ter mais segurança, vão morrer menos pessoas e ficarem menos feridas.

Quando é que os responsáveis entendem que as épocas, ao contrário do que eles defendem, custam muito mais ao país a longo prazo do que assumir que tomar medidas preventivas todo o ano?

Um país com um clima ameno na maior parte do ano, a “época balnear” é todo o ano e a “época dos fogos” também, apenas se intensificam no verão. Vamos recordar as autoridades que se fazem queimadas todo o ano, que as florestas estão mal tratadas todo o ano, que o mar e o sol estão lá todo o ano.

Apenas como apontamento recordo que no nosso país no primeiro dia do ano, “vão a banhos” de mar milhares de pessoas de norte a sul.

No caso concreto das praias, entre militares e bombeiros tem de forçosamente existir segurança todo o ano. Sugiro que os concessionários sejam retirados deste processo. Estes empresários existem para explorar instalações de hotelaria não para efectuar análises de risco nem combatê-lo. Para isso existem as entidades competentes: Marinha e Bombeiros.

Na minha opinião é à Marinha e aos Bombeiros em conjunto, coordenados pelos serviços de protecção civil a quem compete garantir a segurança nas praias durante todo o ano.

Em alternativa, resta ao comum cidadão a GNR. Pode ser que esta Instituição militar crie a especialidade de Nadadores Salvadores e aí vai ser o habitual “ai Jesus credo” de quem agora tem essas responsabilidades. Lembram-se quando foi dos GIPS?