Júlio Santos

Versão completa: A crise económica versus insegurança
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Muitos académicos, ligados à segurança, já dissertaram sobre o tema: o reflexo da primeira crise económica do século XXI nos factores de insegurança.

De uma forma despretensiosa, no inicio da crise em Junho, de 2007, neste mesmo Fórum sob o tema “A insegurança social ao nível mundial” abordámos este fenómeno.

Porém, como todos aqueles que estudam a segurança, não tivemos a percepção da real situação nem do impacto que a denominada crise económica, iria ter no dia-a-dia dos cidadãos de cada país.

No caso português, como era esperado, estamos a ser alvo de factores associados à criminalidade organizada mundial e a factores internos intrínsecos ao reflexo da vivência diária.
No caso da criminalidade de origem externa foram escolhidos preferencialmente dois alvos. A região do Algarve, pela proliferação de casas desabitadas grande parte do ano e as que estão ocupadas todo o ano são-no por pessoas idosas, com rendimentos acima da média europeia e que escolheram esta região pelo seu clima e também pela, até agora, segurança do país. Outro alvo em Portugal é o ouro. Factos históricos indicam Portugal como um dos maiores possuidores, quer de reservas quer de utilizadores deste ambicionado e cada vez mais valioso metal.

Todavia, existem outros factores de insegurança a que todos devemos estar muito mais atentos, pois os seus alvos não são bens, são pessoas.

Referimo-nos à segurança rodoviária.

Nesta matéria, os políticos deixaram a sua macabra marca ao extinguirem a Brigada de Trânsito da GNR, um dos melhores conjuntos de profissionais na prevenção de acidentes de viação na Europa senão no mundo.

Os cidadãos, devido à crise económica, fazem o restante para aumentar, não só o número de acidentes, mas, mais grave do que isso, os resultados expressos no aumento desmesurado de feridos graves e mortos.

A ausência de visitas às oficinas como factor preventivo, mantendo apenas as de factor correctivo estritamente necessárias a que a viatura circule, associadas às faltas aos centros de inspecção, o não pagamento dos seguros obrigatórios, o cancelamento dos facultativos e o natural envelhecimento da frota automóvel do país – por falta de investimento – encaminha-nos para um natural aumento do número de acidentes de automóvel e consequentemente dos seus resultados.

As fiscalizações têm apertado. Não pelas motivações correctas, mas como forma de financiamento dos meios policiais o que conduz a uma forma perversa da relação: fiscalizador/fiscalizado. Pois este último como sabe que o interesse do fiscalizador é a verba da multa, paga-a (quando consegue), mas mantém os factores de insegurança da sua viatura colocando assim em risco não só os que a utilizam, mas também aqueles que com ela se cruzam na estrada.

A história diz-nos que as crises económicas conduzem a uma melhoria significativa dos modelos de vida das pessoas, conquanto esses relatos omitem é o preço a pagar por essa suposta evolução e no caso da presente crise, ainda estamos no princípio do saldar da factura. Estejamos pois todos atentos e preocupados com a nossa segurança que é um bem extremamente necessário para a natural evolução, quer do homem enquanto indivíduo, quer deste enquanto membro de uma sociedade mesmo que seja num formato nos antípodas daquela que conhecemos hoje.