Júlio Santos

Versão completa: A Legionella
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Não sou gestor, mas, como diz o nosso povo que tanto gosto de citar: “falo com eles”. Vem esta pequena introdução a propósito do recente surto de Legionella.

Está provado que esta bactéria se desenvolve na maioria dos casos em condições de deficiente e/ou inexistente manutenção em sistemas de refrigeração de água, uma técnica muito utilizada, por exemplo, nos sistemas de ar condicionado.

Em meados de 2010, quando em Portugal se começaram a sentir os indícios da já famosa crise económica de 2008. Os Gestores iniciaram um conjunto de ações para conter os custos operacionais. Cortes esses, como sempre e por esta ordem ocorreram nos seguintes setores: segurança, limpeza, manutenção. Aqueles que aos Gestores parecem não ter “retorno” e na maioria dos casos com custos considerados elevados.

Vejamos se é assim!?

Redução de custos com: Segurança - seja a preventiva ou a reativa é sempre o setor mais apelativo para os Gestores de “números de balanço” atuarem. Por regra esquecem-se dos efeitos que a falta da segurança tem nos ativos e passivos de uma empresa graças à sua transversalidade na missão da empresa.

Limpeza - A redução de investimento nesta componente conduz não só a um aumento dos riscos de segurança, mas a estes acrescem os de saúde dos Trabalhadores. Se ainda induzirmos aqui a máxima: “comportamento gera comportamento”, então temos aquela imagem fácil de obter em espaços onde trabalham muitas pessoas: “se quando entro o espaço está sujo…por que razão tenho de o deixar limpo quando sair”?

Manutenção – este caso é mesmo aquele que considero o mais complicado. Esta “redução de custos”, no limite, como ficou provado com este caso da Legionella em fábricas da área de Vila Franca, é mesmo muito grave. Afeta todos os que se relacionam com a empresa (stakeholders), a sua missão e valores. Ora, quando se atinge o nível de falta de manutenção que se atingiu, corre-se o risco de afetar todo o tecido económico duma região.

Este surto pode vir a ser considerado pela justiça um crime ambiental. Mas acima de tudo é um crime contra as pessoas e património. Ambos dos mais púnicos no nosso Código Penal.

Se não forem capazes de mais, pede-se apenas aos nossos Gestores que ao primeiro sinal de dificuldade, não optem por reduzir os investimentos nestes três setores. Essa decisão é tão errada que pode conduzir à total destruição da empresa que julgam estar a defender, como poderá ser o caso daquelas que vierem a ser responsabilizadas/penalizadas pelo recente surto.