Júlio Santos
Insegurança no centro da Cidade de Lisboa - Versão de Impressão

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Insegurança no centro da Cidade de Lisboa - Júlio Santos - 14-09-2007

Comecei este texto como sendo mais um post para o meu site, todavia, quando o terminei entendi transformá-lo também num e-mail para as entidades que poderão, se assim entenderem, encontrar uma solução para este problema:
- Câmara Municipal de Lisboa
- Junta de Freguesia dos Anjos
- Comandante da 1.ª Divisão da PSP de Lisboa
- Comandante da Polícia Municipal de Lisboa
- Director da DCICPD do SEF
- Director da DSPCO da ASAE
È minha convicção que o e-mail, ao abrigo da desburocratização pedida pelo Governo, será tão considerado como se fosse uma formal carta com aviso de recepção; ainda que a linguagem utilizada, sendo respeitosa, não tenha tal formalismo.
Este escrito, numa primeira análise, poderá parecer xenófobo, mas creiam que não é essa a intenção e não me revejo nesse tipo de comportamentos. O que pretendo é expor um conjunto de factos que nem sequer são exclusivos de um só Povo ou Raça.
Tenho o prazer de residir em Lisboa, mais propriamente na Freguesia dos Anjos, junto a uma das entradas do tão famoso Largo Intendente Pina Manique.
Recentemente em conversa com um colega que, como eu precisa de se exercitar andando, dizia-me ele que todos os dias anda, a pé, cerca de 1h na sua zona de residência também em Lisboa; aí constatei muito rapidamente que eu não podia fazer o mesmo na minha zona de residência.
Imaginemos que pretendia fazer um passeio do género na minha zona. Começava por sair de casa no n.º 57 da Rua Andrade e:
- Logo à porta sou confrontado com grupos de pessoas a consumir descaradamente álcool na rua. Compram as bebidas numa mercearia, recentemente adquirida por Paquistaneses que permanece aberta, todos os dias, até cerca das 23h e vendem as bebidas mais baratas que o Restaurante e a Taberna existentes um pouco mais abaixo na mesma rua. Depois de consumidas as bebidas as garrafas são deitadas ao chão ou deixadas “arrumadas” nos patamares das escadas dos prédios nas imediações (já apresentei queixas na Polícia Municipal, no entanto, a situação mantêm-se);
- Seguia para a Almirante Reis e no sentido descendente cruzava-me com toxicodependentes (em estado terminal) que apressadamente se dirigem ao Regueirão dos Anjos para adquirir a sua dose de droga. Um pouco mais abaixo, idosos decadentes, aguardando na esquina pelas Prostitutas e/ou negociando com estas, fazendo contas ao dinheiro que têm para contratar os seus serviços. Prostitutas essas, oriundas da Africa francófona e cujos proxenetas são Africanos de assustar qualquer um, quer pelo aspecto, modos e se isso não bastasse, pelo tom de voz que utilizam, muitos decibéis acima do considerado normal (o mesmo tom que utilizam quando a altas horas da noite circulam na zona).
- Continuando nesse sentido, chegaria ao Martim Moniz. Aí chegado tinha três hipóteses: circular pelo lado direito, esquerdo ou centro. O lado direito está em obras e empurra-me para o centro onde, meliantes de todas as raças e credos negoceiam tudo, na maioria dos casos, produtos receptados aos toxicodependentes já anteriormente referidos. Pelo lado esquerdo sou confrontado com os atarefados Chineses e os seus carros de mão atulhados até ao cimo que mal me vêm e circulam entre as suas viaturas mal estacionadas e os armazéns situados no Centro Comercial da Mouraria (com nenhumas condições de segurança na vertente safety) ou então corro o risco de ser mal tratado pelos Ciganos que fazem aí as suas compras e também estacionam as suas viaturas em segunda fila.
- Um pouco mais abaixo, mais duas hipóteses de circulação, ou em direcção à rua da Madalena e aí a coisa complica, pois as prostitutas oriundas da Roménia, junto com as Portuguesas que ainda resistem à concorrência, misturam-se com os potenciais clientes e os proxenetas, num constante vai vem entre as pensões e a rua e/ou um degradante bar aí existente num espaço sobrelevado. A opção é seguir em direcção ao Rossio. Nesse local poderei encontrar pessoas, oriundas dos PALOP a negociar: passaportes, autorizações de permanência no País e mais, sabe-se lá o quê, agora quando tomámos conhecimento de que Guiné também se tornou num interface de droga internacional.
Cansado de tanta miséria degradação e marasmo, sim, porque estas pessoas passam o dia inteiro sem fazer nada, excepção aos Chineses e Ciganos que por aí andam a trabalhar, opto, em alternativa, pelo sentido ascendente da Avenida Almirante Reis.
- Saio de casa e ainda aí estão os Paquistaneses, Brasileiros e Proxenetas Africanos a beber e gritar à porta da mercearia e consequentemente à minha que é ao lado. Subo a Avenida Almirante Reis e salta-me de novo a dúvida: por onde ir? Se optar pelo passeio da direita vou, garantidamente, cruzar-me com mais toxicodependentes, sujeito a ser assaltado, pois estou na sua zona de compra e consumo. Pelo lado esquerdo cruzar-me-ei com os sem-abrigo que permanecem no Adro da Igreja dos Anjos, onde se sentam, deitam, urinam e/ou defecam enquanto aguardam o fornecimento da sopa, pela Santa Casa mesmo em frente à Igreja.
- Se resistir ao cenário anterior e a opção for continuar até à Praça do Chile, vou ser presenteado de um lado ou do outro com um conjunto de pessoas, das mais diversas nacionalidades, a dormitar envoltos em cartões jornais e cobertores malcheirosos ou então a consumir álcool que compraram com as moedas recebidas a indicar espaços de estacionamento vazios, mas que também são pagos à EMEL.
Podemos ainda acrescentar o estado de imundice em que se encontram todas as ruas na zona em apreço. Os passeios estão permanentemente cheios de dejectos de cães e pombos que, ao contrário das recomendações da Câmara, as pessoas, apesar de ser proibido e poderem ser multadas, insistem em alimentar, sem que sejam incomodadas pela Polícia (não acredito que um dos muitos carros patrulha que passam na zona nunca tenha assistido a uma senhora que todos os dias, à mesma hora, alimenta os pombos na esquina da Rua Andrade com a Rua Maria e a seguir dirige-se para um edifício um pouco mais abaixo do Mercado do Forno Tijolo onde procede da mesma maneira).
Também se pode referir a condição dos passeios na “minha” rua e nas circundantes o estado de polimento em que se encontram as pedras da calçada, resultado de muitos e muitos anos sem serem trocadas e/ou reparadas, há ainda a irregularidade provocada pelo deslocamento de terras. Tudo isto conduz a que estes caminhos fiquem demasiado perigosos para a circulação das pessoas, especialmente para os mais idosos. É frequente assistir-se a quedas aparatosas.

Conclusões
Não circulo nas imediações de minha casa sem ser de carro que faço por estacionar perto da porta, pois assim, além de me expor menos às situações relatadas, sempre posso vigiá-lo (pouco adianta, dado que ainda recentemente foi alvo de vandalismo). Utilizar os transportes públicos que tenho ao pé da porta? …só em caso de força maior; a relação risco/proveito pende muito para o lado do risco.
Embora se constate, com frequência, o passar das viaturas da PSP, o facto é que não param, não identificam, apenas seguem na sua lenta marcha, com destino sabe-se lá para onde. As viaturas da Policia Municipal param, mas porque têm dois Agentes na zona e importa dar apoio às rendições. Actuações dos Agentes que contribuam para o melhoramento da segurança nesta zona? Muito poucas! Os Agentes da Polícia Municipal respondem que não se podem afastar muito do “posto!?” que, segundo eles, é o ponto de acesso ao Largo do Intendente.
Será que os responsáveis pela Cidade: Câmara, Junta de Freguesia e Policias não se sentem um pouco envergonhados por ter deixado chegar esta parte do centro da cidade ao ponto de degradação a que chegou?
Será que os Políticos da cidade e do País acreditam serem os elementos que por aqui proliferam, em quantidade desmedida, que lhes dão os votos para serem eleitos? Não, não são! Sou eu e os outros cidadãos que trabalham e pagam impostos. Os mesmos que são assaltados, ofendidos e maltratados por esta gente que nada faz senão comer o que nós pagamos através dos impostos, beber o que nós pagamos para que não nos danifiquem mais os carros e consomem as drogas compradas com o dinheiro daquilo que nos roubam! Mas os políticos pouco se importarão pois serão eleitos com 1 voto ou com um milhão.
Se acreditam que não podem fazer nada!? Estão enganados, podem, e à luz da Lei! Eis algumas sugestões que poderiam ser implementadas:
Podem colocar os Polícias a trabalhar por objectivos – hoje, quase todas as pessoas trabalham por objectivos - a missão da Polícia não é, para além da actuação no durante e após os incidentes, também, a redução dos factores de insegurança que os propiciam? Pois então, os senhores Comandantes exijam que todos os dias, durante um largo período de tempo, cada viatura que circula nesta zona, em média com cinco polícias (as carrinhas circulam com +-8 e os carros patrulha com 3), seja responsável por fazer 20 identificações e/ou detenções – não é importante se o Juiz os vai libertar nesse dia, ou no seguinte, os meliantes voltam! A policia também!
As entidades competentes (ASAE, PM e SEF) efectuem verdadeiras fiscalizações aos estabelecimentos de restauração e às pensões da zona. Encerrem-nas, estou convicto que nenhum desses locais obedece, totalmente, a uma só Lei e/ou Regulamento aplicável.
A Câmara que utilize os quartéis (Graça) e os hospitais (Praça do Chile) devolutos na cidade, para albergar os sem-abrigo, em vez de transformar esses espaços em condomínios fechados. Dêem-lhes pequenas responsabilidades, ajudem-nos a recuperar a auto-estima. O terreno vale muito dinheiro, mas a dignidade das pessoas não tem preço.
Fiscalizem os emigrantes ilegais que praticam crimes. Sai mais barato a todos nós, enquanto Estado, repatriá-los condignamente do que sustentá-los enquanto deambulam pela nossa Cidade (por favor, não optem por me responder com o “lugar comum” da comparação com o apoio que emigrantes Portugueses tiveram nos anos 60/70, essas pessoas iam para os países de destino trabalhar e quando vagabundeavam eram expulsos).
Aos Senhores Presidentes da Câmara e Junta de Freguesia deixo uma pequena questão:
- Quando visitam esta zona, sem ser em campanha eleitoral, quantas crianças vêem a brincar na rua?
Sabem porque não estão a brincar na rua? Porque os senhores não as limpam, cuidam ou garantem a sua segurança!
Esta é a realidade de uma das maiores e mais centrais artérias da Cidade de Lisboa, na segunda mais povoada Freguesia de Lisboa (Censos 2001). Não acredito que não seja possível proceder à recuperação desta zona da cidade. Fizeram-no na Avenida da Liberdade quando um hotel se queixou, estão recordados? Hoje, “O passeio Público” voltou ao que era quando assim se chamava, um local onde é aprazível passear.
Vou deixar-vos um convite: que na minha companhia aceitem, efectuar, a pé, os trajectos acima descritos, estão convidados, ou os vossos ilustres representantes, Senhores Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Presidente da Junta de Freguesia dos Anjos, Comandante da 1.ª Divisão da PSP de Lisboa, Comandante da Polícia Municipal de Lisboa, Director da DCICPD do SEF e Director da DSPCO da ASAE.


RE: Insegurança no centro da Cidade de Lisboa - Paulo Gonçalves - 14-09-2007

Amigo, os meus mais sinceros Parabéns pelo espaço que foi criado e que permite a alguns de nós opinar, discutir e conversar sobre temas da actualidade e que estão relacionados com as nossas actividades, profissões. É com agrado que vejo mais um objectivo a que te propuseste concretizado, depois do esforço e da dedicação que dedicaste a mais este projecto.
Nem de propósito vou apenas deixar aqui o depoimento de algo que se passou comigo num destes fins de semana em que fui trabalhar. Estava no turno da tarde e como sempre apanhei o barco do Barreiro para Lisboa. Para quem entrava às 16h00, cheguei ao Terreiro do Paço pelas 14h30, cedo como eu gosto, já que nunca se sabe os imprevistos que podem acontecer e quem anda de transportes públicos já sabe como é.
Assim que pus o pé em terra, constatei que a circulação automóvel no Terreiro do Paço estava interdita. Como era cedo por curiosidade fui dar uma vista de olhos. Comecei por ver um espaço destinado à GNR, espaço esse em que eram exibidos meios de transporte e outros utilizados por essa força de autoridade. Mais á frente estavam uns aparelhos que nos permitiam olhar para o sol e alguém que nos explicava o que poderiamos observar. Por baixo das arcadas, junto ao Ministério da Defesa um táxi daqueles velhinhos em exposição. Andei mais um pouco e vi uma tenda com uma bancada em que quem quissesse podia fazer uma prova de vinhos diversos. Segui e olhei para a Praça. Meia dúzia de pessoas circulavam no local. Desabafei com os meu botões, bem estou feito... tenho de ir a pé até aos Restauradores ou até ao Rossio para apanhar o Autocarro da Carris já que o meu passe não dá para o Metro. Olhei e vi o novo Presidente da CML, no meio da estrada a usufruir de uma sombra fantástica, bem regada na companhia de um bom vinho (estava fresco, a taça assim o demonstrava) e pelo recheio dos pratos o petisco devia estar bom. Estive vai e não vai para lhe pedir uma boleia, mas porque nao fui o único que saiu do barco com destino ao local de trabalho naquele dia (Sim Sr. Presidente a pessoas que trabalham ao Domingo) achei que não valia a pena pois poderia não ser fácil providenciar transporte para todos. Depois de ler o teu texto Júlio, (sublime) fico a pensar que da proxima vez que o vir vou deixar-lhe uma sugestão diferente...se o Sr. Presidente quiser almoçar ou jantar fora dou-lhe a tua morada. Ficas com a Rua fechada à circulação automóvel e com segurança (os meios humanos pertencentes ás forças policiais que estiveram envolvidos na operação de almoço do Sr. Presidente no Terreiro do Paço não foram tão poucos quanto isso, sem contar com o Stand da GNR ). Um Abraço Amigo

Paulo Gonçalves


Respostas ao e-mail enviado - Júlio Santos - 14-09-2007

Parabéns à PSP!
A primeira das Instituições que respondeu com a marcação de uma reunião, que entretanto já se realizou, foi a 1.ª Divisão da PSP.
Fomos recebidos por elemento do Comando que nos deu a conhecer um conjunto de acções que essa força policial tem desenvolvido na área em causa.
Contudo, mesmo depois desta conversa que consideramos muito positiva, ainda permanecemos convictos de que este é um problema transversal e que só o esforço de um dos intervenientes não é suficiente.
A ASAE também já nos respondeu, ficamos expectantes quanto ao referido na resposta.
A Câmara Municipal foi a resposta mais lacónica que nos mereceu uma contra resposta, pois garantidamente de todos os assuntos referidos no e-mail, aquele que mereceu a atenção da Câmara foi só o da limpeza (creio por se enquadrar no programa do recente eleito Presidente) …e o resto? Não merece atenção e resposta? Vamos ficar à espera.


RE: Insegurança no centro da Cidade de Lisboa - André Fernandes - 18-09-2007

Começando também por dar os meus parabéns a este fórum gostaria de deixar aqui também a minha opinião. Infelizmente esse clima de insegurança não se verifica apenas no centro da cidade de Lisboa... Habito na Capital há 22 anos (tantos como os que tenho de vida) e cedo me habituei a conviver com o medo dos assaltos e com a inoperância das autoridades policiais. Moro em Campo de Ourique, bairro tido por muitos como um sitio fino, onde a habitação é carissima e nada de mal acontece... paredes meias com este bairro, existe o famoso Casal Ventoso, o maior "supermercado" de estupefacientes de Lisboa dos anos 80/90, que graças a uma intervenção urbanistica da CML perdeu o seu aspecto degradante, sujo e abarracado que servia de cartão de visita a quem abordava a cidade vindo de Sul...
No entanto a Intervenção que referi, não conseguiu erradicar o problema, apenas o disfarçou e ainda por cima mal disfarçado.
A degradação começou a subir a encosta e alastrou-se grave e descaradamente à Rua Maria Pia, Guilherme Anjos e Sete Moinhos zonas que até então não eram TÃO fustigadas por este problema.
Mas este meu texto serve também como um testemunho de um assalto que sofri e passo a descrever:

Em pequeno e enquanto frequentava a escola primária após as aulas esperava pela minha mãe em casa da minha avó, que dista cerca de 600 metros da minha casa. Tal como ditava a rotina cerca das 19h00 a minha mãe apanhava-me em casa da minha avó e seguiamos a pé para a nossa casa... esta situação ocorreu durante 3 anos diariamente o mesmo trajecto, a mesma hora, as mesmas pessoas e a mesma fragilidade.
Aconteceu o pior, fomos abordados numa Rua larga e iluminada com o comércio a fechar por dois individuos armados com facas que encostaram ao pescoço da minha mãe ameaçando matá-la se não lhes desse todos os valores que tinha ao que ela acedeu prontamente, zelando pela nossa segurança, foram os piores 20 segundos da minha vida.
Identificamos a viatura pelas caracterisiticas e matricula, descrevemos os homens às autoridades fizemos tudo o que estava ao nosso alcançe para colaborar com a PSP concluíndo-se na altura, que os individuos tinham aquelas práticas para comprarem a sua dose de droga, mas em vão, o valor do roubo foi avultado dado que levaram jóias e dinheiro que a minha mãe trazia... até hoje nunca fomos contactados por causa deste assunto certo é que nunca mais me esqueci deste dia que já passou há cerca de 15 anos...