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Corpo de Bombeiros pode fechar portas - Versão de Impressão

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Corpo de Bombeiros pode fechar portas - Miguel Silva - 24-09-2007

[b]"O pagamento de uma indemnização de mais de 100 mil euros a uma antiga funcionária pode obrigar os Bombeiros de Vouzela a fechar portas.

Carlos Lobo, presidente dos Bombeiros de Vouzela, afirma que o serviço básico dos bombeiros fica altamente comprometido.

Face à decisão do Tribunal de Trabalho de Viseu, Carlos Lobo diz que só mesmo os habitantes do concelho podem ajudar a encontrar uma solução para o problema.

“Infelizmente, todos nós um dia precisamos dos bombeiros, ou por razões de saúde, ou porque temos um incêndio perto de casa. Os bombeiros são extremamente úteis para todos nós”, sublinha.

A corporação de Vouzela já interpôs recurso para a Relação de Coimbra sobre esta indemnização de mais de 115 mil euros e aguarda neste momento por uma decisão."
[/b][/b]
(Noticia Radio Renascença)[b]

O que a RR relata relativamente aos Bombeiros de Vouzela, pode vir a ocorrer com frequência, pois quantos e quantos corpos de bombeiros têm problemas com funcionários, que não chegam aos tribunais pois ainda há quem goste muito das associações...ou não!!!
Será que a falta de mais bombeiros a recorrer a tribunais deve-se ao facto do "amor" que nutrem pelas associações?
Uma coisa vos garanto, há centenas de corpos de bombeiros que não cumprem para com os seus funcionários, acima de tudo porque alegam não ter recursos!!!
Gostava que o Julio nos transmitisse a sua opinião pois para quem não sabe, fez parte dos corpos gerentes de uma associação humanitária de bombeiros.
Obrigado


RE: Corpo de Bombeiros pode fechar portas - Júlio Santos - 24-09-2007

Pois bem, Miguel aceito expor a minha opinião sobre este assunto. Não do caso relatado em concreto, pois não conheço detalhes para além daqueles que a imprensa nos tem facultado, mas vou expressar a minha opinião na generalidade.
Concordo totalmente contigo quando te questionas porque não existem mais casos como este? Dado que as relações laborais em muitas Associações que gerem os Corpos de Bombeiros e os seus funcionários não é de todo pacifica.
No meu entender, esta análise tem de ser feita sob duas perspectivas: a do Empregado/Bombeiro (Coordenadores de serviço, Motoristas, Maqueiros, Operadores de central, Quarteleiros, etc.) e a dos administrativos e outros colaboradores (Empregados das Secretarias, mecânicos, empregados de limpeza, etc.).
Respectivamente, nos primeiros, existe, além da relação laboral, o tal “amor” que referes pela causa dos Bombeiros; têm no seu espírito o sentimento muito Nobre a essência do Voluntariado. No segundo caso, são trabalhadores como quaisquer outros, embora, garantidamente, existam situações em que o “Voluntariado” também é fundamento para a motivação profissional, não será a única e assim, legitimamente, exigem mais do “patrão”.
Existem contrariedades comuns aos dois conjuntos de profissionais, cito algumas: parcos ordenados; deficiente pagamento de horas extraordinárias e Gestores que também gerem por “carolice”. Em alguns casos é comum as pessoas optarem por fazer parte dos Corpos Gerentes da Associação dado que, por esta ou por aquela razão, não reúnem condições para ser Bombeiros, mas por muito que gostem e se dediquem faltam-lhes condições técnicas para o desempenho das funções de Gestor.
Em suma, esta questão conduz-nos à necessidade de assumidamente semi-profissionalizar os Bombeiros em Portugal quer os Corpos de Bombeiros, quer alguns dos elementos das Associações que os gerem.
Creio que os princípios que se aplicam à necessidade da existência de profissionais nos Corpos de Bombeiros, também serão facilmente adoptados para existirem profissionais na gestão das Associações.
Para uma melhor transparência, quer os profissionais com funções operacionais, quer dos com funções de gestão ambos deveriam trabalhar por objectivos e ser avaliados por programas específicos. Não sendo atingidos os objectivos propostos, como em qualquer empresa, a relação profissional seria analisada e reavaliada por ambas as partes, podendo chegar, em alguns casos, a rescisão de contrato por comum acordo.
Enquanto for este o cenário, é importante que os Senhores Directores efectuem convenientemente a gestão das Associações e cumpram com a Legislação laboral aplicável aos seus profissionais. Da mesma forma, estes, a seu tempo, devem fazer as revindicações adequadas, não deixando arrastar os assuntos para depois exigir tudo de “atacado” como forma de “vingança”.
Resumindo, por muito respeito que o Voluntariado me mereça entendo, como cidadão, que quer nos Corpos de Bombeiros, quer nos Corpos Gerentes das Associações têm de existir Profissionais.
Por muito que uma decisão desta índole custe a aceitar a um conjunto de pessoas, a tendência dos Bombeiros em Portugal, até pela especificidade da sua função é, paulatinamente, a total profissionalização.



RE: Corpo de Bombeiros pode fechar portas - firemarques - 29-09-2007

Subscrevo inteiramente o texto do Júlio Santos, acho que a "fórmula" de gestão e existência de Corporações de Bombeiros Voluntários em Portugal, necessita de ser reformulada e adequada á realidade actual.

Fernando Marques

Bombeiro Voluntário desde 1976, ex-comandante e presidente de um CBV.