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Voluntariado versus Profissionalismo - Versão de Impressão

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Voluntariado versus Profissionalismo - Raul Marques - 29-03-2008

Eu sei eu sei. É um tema batido. Será. Cada vez mais é uma questão premente. O que o António Perna refere na mensagem de ontem é cada vez mais um tema recorrente nas conversas dos Bombeiros. Ser voluntário, ser profissional? Querem acabar com o voluntariado. Não recebemos pelo nosso trabalho o que deviamos. A questão é a meu ver a seguinte eu posso ser voluntário e receber formação adequada para o que faço, mas não devo ver o meu voluntariado remunerado, senão passa a ser uma profissão. Eu sou profissional, devo receber um valor justo pelo que faço e devo receber formação adequada para o que faço.
O voluntariado é essencial nos Bombeiros como em muitos sectores da vida portuguesa. Imaginem o que é ter de pagar a todos os bombeiros que actualmente existem em Portugal (e agora não vou deiscutir se são 40.000 ou não). Imaginem salários, descontos, seguros de trabalho, 13º e 14º mês, etc..., o trabalho levado a cabo pelos voluntários é essencial para o País (irei mais tarde abordar o tema da formação). No entanto mesmo os voluntários referem que cada vez mais um corpo misto é o caminho a seguir e não, só para os motoristas, maqueiros, mecânicos e telefonistas\centralistas (gostei dessa), mas mesmo equipas de primeira intervenção, ou equipas de intervenção permanente (nós portugueses gostamos de brincar com as palavras); logo têm de existir verbas para esses pagamentos. Essas verbas origiam de quotas dos associados, verbas das autarquias e demais verbas legalmente estabelecidas através do Orçamento Geral do Estado e dádivas de mecenas. Mas equacionem o que era ter de pagar todo isso dos nossos impostos. O que os voluntários querem é ter condições de fazer o trabalho para que se ofereceram o melhor possível e com segurança, os profissionais querm faer o seu trabalho em segurança e com condições para efectuar o trabalho par ao qual são pagos o melhor possível. Será que hesistem assim tantas diferenças? Tirando algumas rivalidades normais e "bairrismos", acredito que tanto voluntários como profissionais (municipais, sapadores), apenas querem dar o seu melhor.


RE: Voluntariado versus Profissionalismo - Júlio Santos - 29-03-2008

Este debate só peca por tardio e por estar a feito aqui. Deveria estar ser feito por quem tem poder de decidir.
Estou de acordo com o Raul quando diz que o País, da forma que está estruturado, não pode abdicar dos préstimos dos Bombeiros Voluntários, mas isso, mais tarde ou mais cedo, vai ter de acontecer.
Um quartel de Bombeiros tem por “obrigação”, para com a população que serve de ter um número mínimo de bombeiros, (até Centralistas, já disse ao Perna que são: OPERADORES DE CENTRAL, mas ele não fixou) formados em diversas áreas e com uma capacidade de resposta muito rápida.
Isso hoje não se consegue sem os assalariados. Uma forma de rápida de gradualmente se resolver o assunto é assumir a criação de Corpos Mistos em todos os Concelhos.
Creio que a nova Legislação falhou esse alvo, não houve coragem política para ir mais além, decerto, como dizes Raul, por uma questão de orçamento, mas o facto é que mais tarde ou mais cedo vai ter de ser.
Quem quiser ser Bombeiro poderá ser Voluntário (serão muito poucos) e os restantes têm de ser Profissionais e, tal como os policiais, médicos e enfermeiros, teremos no País aqueles que tivermos capacidade para ter.
As Corporações de Bombeiros não oferecem aos nossos jovens (há muitos anos) o que eles precisam para serem cativados.
E existe um problema ainda maior, referido pelo Perna, que é a da desertificação do próprio País em determinadas zonas. Ou seja, o poder político não teve, com todos os seus meios, capacidade de parar a sangria das pessoas para as grandes cidades e exige às Associações de Bombeiros que o façam relativamente aos voluntários?
Que me desculpem os que ainda hoje, com sacrifício das suas vidas privadas, nos dão o seu tempo em prol do socorro de todos, mas infelizmente, e não por vossa culpa, esse não é o futuro.
O Voluntariado tem de começar a ser observado como na realidade é. Importa uma análise urgente de quais os seus números, valências e competências. E depois, tomar as medidas adequadas para que possamos ter um socorro digno das pessoas que vivem neste País.