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Psicologia Positiva
#1
Wink 
Um olhar positivo

Neste apontamento gostaria de vos falar um pouco sobre a Psicologia Positiva.

A Psicologia, tal como outras ciências, tem-se interessado especialmente pela patologia, pela doença e pelas emoções negativas (Barros de Oliveira, 2004). Este facto foi comprovado por Myers (2000) quando fez uma pesquisa nos artigos publicados desde 1887 até 1999 e concluiu que foram publicados mais artigos que sobre emoções negativas (na ordem de 14 artigos de emoções negativas para 1 artigo de emoções positivas).

Recentemente tem vindo a sobressair a emergência de um novo paradigma – Psicologia Positiva – que defende a elaboração de modelos compreensivos do funcionamento humano e social que abranjam a totalidade da experiência humana (e.g., Seligman, Steen, Park, & Peterson, 2005). Esta totalidade inclui o já habitual estudo da doença/ psicopatologia (e.g., PPST) que é o que tem vindo a ser estudado no seguimento do modelo médico, passando pela resiliência até ao crescimento (no caso do trauma, designado por crescimento pós-traumático) e funcionamento óptimo (a mais valias da perspectiva da Psicologia Positiva).

A Psicologia Positiva tem as suas raízes na Psicologia Humanística, sendo que já em 1954, no livro Motivation and Personality de Maslow, existe um capítulo a abordar a Psicologia Positiva Towards a Positive Psychology. Em 2000, foi publicado o primeiro número da American Psychologist sobre a felicidade, a excelência e o funcionamento humano óptimo, sendo este considerado o momento essencial para a valorização desta corrente. Entretanto, nos últimos anos têm vindo a ser publicados trabalhos com esta abordagem positiva, nomeadamente em português, o livro de José H. Barros de Oliveira de 2004.

O conceito de resiliência tem sido um dos mais estudados no âmbito do paradigma da Psicologia Positiva, já que “…o modelo da resiliência permite não se ficar unicamente pelas sequelas negativas, mas aprender também os recursos e as potencialidades dos sujeitos (e do respectivo meio ambiente) que lhes permite enfrentar as dificuldades e ultrapassá-las” (Anaut, 2005, p.147).

Na literatura encontram-se diversas definições e abordagens da resiliência, já que este conceito se “situa numa encruzilhada epistemológica” (Anaut, 2005, p.43), integrando contributos de diferentes perspectivas teóricas e clínicas. Não entrando pelas especificidades de cada abordagem, pode-se definir a resiliência como “a arte de se adaptar às situações adversas (condições biológicas e sociopsicológicas) desenvolvendo capacidades ligadas aos recursos internos (intrapsíquicos) e externos (ambiente social e afectivo), que permitem aliar uma construção psíquica adequada e a inserção social” (Anaut, 2005, p.43).

A resiliência refere-se a um processo complexo que resulta da interacção entre o indivíduo e o seu meio ambiente, na qual o indivíduo consegue lidar com o acontecimento e consegue “crescer” com o acontecimento. Alguns estudos com veteranos de guerra (e.g., Sendas, Maia & Fernandes, 2006) demonstram que os indivíduos retiram sentimentos e aprendizagens positivas (e.g., atribuir mais valor à vida, à família, aos amigos, o sentir um amadurecimento pessoal) mesmo das situações mais ameaçadoras.

Tendo a Psicologia Positiva como pano de fundo, deixo-vos a transcrição de um testemunho recolhido no âmbito de um estudo que estou a realizar sobre as consequências dos acidentes de trabalho para o casal e para a família. Este trabalhador foi vítima de uma queda gravíssima, esteve em coma cerca de dois meses e ficou com sequelas permanentes devido ao acidente. Contudo, refere “O positivo é estar vivo … e … estar cá … porque podia não estar cá e assim tou cá e é muito bom … mesmo com … as incapacidades que eu tenho é muito bom tar cá …A vida é muito importante …É impressionante … uma pessoa passa por uma coisas destas e fica a dar muito mais valor à vida …”.

Julgo que todos nós devemos retirar uma lição destas palavras. Deixo-vos este testemunho para reflexão…

Sónia Gonçalves
Sou, com cordiais cumprimentos
Júlio Santos
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