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Excesso de utilização da marcha de emergência (sonora) pelos Bombeiros na Cidade de
#1
Ao Ex.mo Senhor Comandante da Corporação de Bombeiros

c/c
Presidente da Direção da Associação de Bombeiros Voluntários
Autoridade Nacional de Proteção Civil- Lisboa
Diretor da Escola Nacional de Bombeiros
Presidente do Instituto Nacional de Emergência Médica
Presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses
 
Carta Aberta
Lisboa, 13 de maio de 2015
Assunto: Excesso de utilização da marcha de emergência (sonora) pelos Bombeiros na Cidade de Lisboa
Exmo. Senhor
Aos 11 anos de idade envergava com orgulho a farda do Corpo de Infantes dos Bombeiros Voluntários de Almada. Aos 14, já Cadete e quando ainda era permitida a saída para fogo com essa idade, no local onde hoje se ergue uma estátua em Homenagem aos Bombeiros da Cidade de Almada (na Cova da Piedade) fui vitima dum acidente rodoviário com uma viatura dos Bombeiros que me privou de uma “carreira” como Bombeiro Voluntário.
Fui forçado a escolher: ou continuar nos Bombeiros, ou sair de casa. A minha mãe foi convicta quando argumentou:”…não estou para viver com este ai credo na boca!”. Por viverem nessa angústia, essa é uma das razões pela qual eu respeito todos os familiares dos Bombeiros.
Sempre olhando esse cometimento social com admiração e respeito, em 1993, fui o percursor do conceito que hoje, para além de muito utilizado na Segurança Privada: “O Vigilante Bombeiro”; dá emprego a muitos Bombeiros Voluntários. Trata-se de uma variante profissional onde as competências adquiridas nas Corporações de Bombeiros são associadas à formação de Agente de Segurança Privada em prol de um nível de prestação de serviços de segurança muito acima da média em Portugal.
Desde essa data que a Instituição onde trabalho tem um Grupo muito admirado e respeitado de pessoas com essas funções. Depois de provada a eficácia deste conceito de que muito me orgulho, muitas são as empresas, que bem, contratam serviços de segurança privada com base nesse conceito.
Para terminar esta introdução, também gostaria de referir que sou mentor dos únicos espaços na internet, de âmbito pessoal, sem apoios, exclusivamente dedicados à segurança e onde dedico vários textos aos Bombeiros. Em conjunto (página e fórum) contam, desde a sua criação, com mais de 260 mil visitas.
Creio, pelo atrás descrito, ser inquestionável o meu respeito, admiração e fascínio pelos Bombeiros em geral, mas dos Voluntários em particular. Por isso reconheço-me com legitimidade para efetuar a critica que se segue nesta missiva.
1.        Resido numa perpendicular a uma das artérias mais utilizadas por viaturas de transporte de doentes de Lisboa. Se a isso juntarmos o facto de ser uma zona com altos índices de insegurança, com frequentes intervenções policiais, temos que na parte final da Av. Almirante Reis – abaixo da Igreja dos Anjos – até ao Martim Moniz é o que vulgarmente se pode apelidar de Hill Street (serie policial americana conhecida pelo seu genérico barulhento desencadeado por sirenes) à portuguesa. Para isso muito contribuem as ambulâncias dos Bombeiros Voluntários da cidade.


 
2.        O barulho produzido pelas ambulâncias que aqui circulam em grande número no excesso de utilização da marcha de emergência sonora é, afirmo-o com convicção, originado pelas viaturas das corporações de Bombeiros Voluntários da cidade. O INEM também circula nas mesmas artérias, até com muito mais ambulâncias, mas recorrendo muito menos à “marcha de emergência” sonorizada, preferindo a sinalização luminosa (sinais de luzes e rotativos e/ou strobs).
3.        Existem corporações de Bombeiros em Lisboa que ligam a sirene junto à Praça do Chile e só a desligam na rua de acesso ao Hospital de S. José, seja dia ou noite, haja muito ou pouco trânsito, sejam os cruzamentos e entroncamentos de acesso ou saída da Avenida. Tornando quase insuportável a vivência nesta zona da cidade dada a poluição sonora.
4.        Dir-me-ão que a urgência do transporte a isso obriga. Permitam-me que discorde! Mais uma vez faço referência ao comportamento do INEM, nas mesmas circunstâncias, as suas viaturas apenas utilizam a marcha de emergência sonora quando estritamente necessário, por curtos períodos: Note-se que mesmo quando a VMER se faz deslocar no sentido ascendente da Almirante Reis, o que subentende ir “para” o local da situação (não a caminho do hospital) a utilização da marcha sonorizada é a estritamente necessária nos cruzamentos que acedem à Avenida.
5.        Não creio ser necessário utilizar todo o potencial sonoro de uma ambulância para descer a Av. Almirante Reis. Até porque a marcha de emergência também se pode efetuar, como faz o INEM, com sinais luminosos e/ou pequenos toques de sirene, para alertar os condutores mais teimosos ou distraídos.
6.        A verdade é que não encontrei, na internet, muita informação sobre como utilizar a “marcha de emergência” sonora, mas consultei a Escola Nacional de Bombeiros e o INEM e fui informado de quais são as indicações dadas aos formandos nessa matéria e não são, nem de perto, nem de longe, aquilo a que assisto a partir de minha casa.
7.        Mas aqui voltamos à questão de que nem todos os Empregados das Associações recebem a formação adequada. Estaria na altura dos Comandos, Direções, ANPC e Escola Nacional de Bombeiros de “olharem” de forma diferente para esta realidade das Corporações de Bombeiros, onde muitos dos que vestem a farda, não recebem a formação devida.
8.        Sabendo eu que muitos dos condutores de Ambulâncias são profissionais e não Bombeiros Voluntários, eis o motivo pelo qual dou conhecimento desta missiva também ao presidente da Direção da Associação o responsável pelos empregados da mesma.
Termino com um texto, da autoria do Dr. Luís Escudeiro que encontrei durante as minhas pesquisas sobre o tema:
A expressão “serviço urgente de interesse público” usada pelo legislador no Código da Estrada é vaga, permitindo uma margem de manobra demasiado lata na utilização da marcha de emergência assinalada…
A passagem de um veículo que assinala a marcha de emergência, isolado ou em coluna, cria uma forte perturbação na via pública. Não raramente assistimos a embates, despistes, quedas, atropelamentos, de maior ou menor gravidade, na sequência da passagem destes veículos. Assim, a marcha de emergência assinalada deve estar reservada a situações onde vidas humanas estão em perigo, seja do ponto de vista médico ou da atuação policial…
…Ou é emergência ou não é emergência. Ou há vidas humanas em perigo ou não há vidas humanas em perigo. As “meias-emergências” são sempre perigosas e injustificadas.
Luís Escudeiro* (26 de Março de 2010) Em http://www.fordrive.pt/?4drive=noticias&...noticia=19
Grato pela vossa atenção e disponibilidade
Cumprimenta
Júlio Santos
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