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CONSEQUÊNCIAS DOS ACIDENTES DE TRABALHO PARA A FAMÍLIA
12-12-2007, 10:56 PM
Mensagem: #1
CONSEQUÊNCIAS DOS ACIDENTES DE TRABALHO PARA A FAMÍLIA
Neste apontamento gostaria de reflectir um pouco sobre as possíveis consequências que o acidente de trabalho pode ter na família.
INTRODUÇÃO
Existem uma série de situações que podem provocar stress numa família (Vaz Serra, 2003). Estas situações podem ser pontuais causando desgaste psicológico delimitado, até se resolver o problema, podem ser situações indutoras de stress crónico que se caracterizam por um desgaste psicológico que se prolonga no tempo até a situação ficar resolvida, ou podem ser acontecimentos traumáticos que têm efeitos graves, com tendência a prolongarem-se no tempo, mesmo depois da causa original ter desaparecido.


Poderá constituir uma fonte de stress para algumas famílias, dado que podem desencadear uma série de acontecimentos e mudanças.
Consequências dos acidentes de trabalho
(e de eventos traumáticos e stressantes em geral na família e/ou no casal)

Existe bastante investigação sobre as consequências da doença (nomeadamente crónica) na saúde emocional e no bem-estar económico das famílias e nas dinâmicas familiares (exemplo, Dembe, 2001). Contudo, existem poucos estudos sobre as consequências dos acidentes de trabalho (e também das doenças profissionais).
Com a revisão da investigação que tem vindo a ser realizada, foi possível encontrar dois estudos que procuraram preencher esta lacuna que existe no conhecimento empírico: Bagali (1997) e Keogh, Nuwayhid, Gordon e Gucer (2000).
Autores Principais resultados
Bagali (1997) Os resultados mostram uma relação significativa entre os danos físicos resultantes do acidente e as consequências psicológicas dos acidentes de trabalho.
As principais áreas afectadas relacionam-se com aspectos financeiros, ruptura da rotina diária da família, e da interacção entre os membros da família.
Keogh, Nuwayhid, Gordon e Gucer (2000) Concluíram que 53% dos inquiridos apresentava sintomas severos e persistentes que interferiam com o trabalho, 64% interferiam com actividades de casa e recreativas, 44% com o sono, 38% dos inquiridos reportaram perda do emprego e 31% sintomas depressivos.

Como foi referido anteriormente uma das consequências dos acidentes de trabalho que se conhece ao nível psicológico é o desenvolvimento da perturbação de pós-stress traumático (PPST). Neste sentido de seguida faz-se um breve enquadramento desta perturbação no contexto familiar.
Perturbação de pós-stress traumático e as famílias:

Pereira (2003a) fez o levantamento da forma como a PPST (independentemente do trauma) afecta a família:
- comportamentos de evitamento (intra e extra família);
- alienação e isolamento;
- suicídio;
- uso de substâncias;
- violência;
- desconfiança/ira.
De acordo com (Figley, 1989, citado por Pereira, 2003a) os membros da família podem ser traumatizados de quatro formas possíveis:
- Efeitos simultâneos (todos os membros são afectados pelo mesmo evento traumático, e.g., acidente de viação);
- Efeitos vicariantes (quando ocorre uma catástrofe a um membro com o qual a família está incapaz de entrar em contacto directo, e.g., situação de guerra);
- Trauma intra-familiar (vários membros da família são traumatizados por um evento dentro da própria família, e.g., divórcio);
- Traumatização secundária (quando o stress traumático infecta a família pelo facto de estarem em contacto com o elemento vitimizado).
“Em qualquer uma destas situações os membros da família podem desenvolver perturbação secundária de stress traumático” (Pereira, 2003a, p.96). Neste sentido, a ligação emocional e a vinculação que o indivíduo tem com a vítima de trauma, isto é, padrões de distância, desconfiança, defensividade que o traumatizado desenvolve e podem afectar negativamente o parceiro desenvolvendo neste problemas interpessoais similares aos do próprio traumatizado, para além disto o facto do traumatizado comportar-se em relação aos restantes elementos da família de uma forma ‘traumatizante’, isto é, com uso de violência e abuso emocional podem por si mesmos provocar sintomas de trauma nos parceiros (Matsakis, 1988, citado por Pereira, 2003a).
A PPST tem efeitos sobre as crianças. Matsakis (1996, citado por Pereira, 2003a) realça que os problemas experienciados pelas crianças numa família traumatizada podem agrupar-se em três grandes categorias:
- Família em que a criança se sente distanciada do progenitor com PPST;
- Família em que existe uma valorização excessiva e protecção das crianças por parte do progenitor com PPST;
- Famílias em que as crianças são trianguladas como fonte de apoio social, ou formam coligações.
Relativamente ao casal, Pereira (2003a) realça que a dinâmica conjugal em casais em que ambos foram vítimas de um trauma, sofrem alterações “normalmente estes casais exibem fronteiras rígidas e permeáveis em que a comunicação praticamente não existe” (p.99).

Neste momento estou a iniciar um estudo no qual procuro analisar as consequências dos acidentes de trabalho para família e muito em particular para o casal.
RECURSOS
A reabilitação psicológica após trauma implica um treino de competências por parte da família para aprender a lidar com esta situação de vida (Foa et al., 2000), bem como o beneficiar da resiliência da família.
Tendo por base esta ideia deixo a informação sobre duas entidades que poderão prestar apoio às famílias vítimas de acontecimentos de stress ou traumáticos, e em particular em caso de acidente de trabalho.
Associação Nacional dos Deficientes Sinistrados no Trabalho (ANDST) – ANDST (http://www.andst.pt), é uma instituição particular criado com o objectivo de apoiar a nível jurídico, médico e psicológico as vítimas de acidente de trabalho, bem como as suas famílias. Esta associação tem a sua sede no Porto (226 176 796), e delegações em Lisboa (218 596 479), Coimbra (239823258) e Leiria (244777676).
Associação Portuguesa de Terapia Familiar e Comunitária (APTEFC) - Esta Associação foi criada em 1980 e presta apoio terapêutico familiar à comunidade. Actualmente está sedeada na Universidade Autónoma de Lisboa na Rua de S. Marta em Lisboa. As marcações podem ser efectuadas através do número 965 456 811 (http://www.aptefc.org).
BIBLIOGRAFIA
Dembe, A. (2001). The social consequences of occupational injuries and illnesses. American Journal of Industrial Medicine, 40, 403-417.
Foa, E., Keane, T., & Friedman, M. (2000). Guidelines for treatment of PTSD. Journal of Traumatic Stress, 13(4), 539-588.
Hawley, D. (2000). Clinical implications of family resilience. The American Journal of Family Therapy, 2, 101-116.
Hawley, D., & DeHaan, L. (1996). Toward a definition of family resilience: Integrating life-span and family perspectives. Family Process, 35, 283-298.
Keogh, J., Nuwayhid, I., Gordon, J., & Gucer, P. (2000). The impact of occupational injury on injured worker and family: Outcomes of upper extremity cumulative trauma disorders in Maryland workers. American Journal of Industrial Medicine, 38, 498-506.
Pereira, M. (2003a). Impacte e avaliação do stress traumático na família: Perturbação secundária de stress traumático. In M. Pereira & J. Ferreira (Coords.). Stress traumático: Aspectos teóricos e intervenção. Lisboa: Climepsi Editores (pp.91-107).
Pereira, M. (2003b). Intervenção familiar no trauma. In M. Pereira & J. Ferreira (Coords.). Stress traumático: Aspectos teóricos e intervenção. Lisboa: Climepsi Editores (pp.187-205).
Sónia Gonçalves
Nota: Este artigo pode ser consultado na integra em http://www.juliosantos.net

Sou, com cordiais cumprimentos
Júlio Santos
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