Este fórum usa cookies
Este fórum utiliza cookies para armazenar as suas informações de login se estiver registado, e a sua última visita ou não. Os Cookies são pequenos documentos de texto armazenados no seu computador. Os cookies criados por este fórum só podem ser usados neste site e não representam nenhum risco de segurança. Os cookies deste fórum também acompanham os tópicos que você leu, e a última vez que os leu. Por favor confirme se quer aceitar ou rejeitar estes cookies por definição.

Um cookie será armazenado no seu navegador, independentemente da sua escolha, para prevenir que esta pergunta apareça novamente. Você será capaz de alterar as suas definições de cookies a qualquer momento usando o link no rodapé.

Avaliação do Tópico:
  • 0 voto(s) - 0 Média
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5
O tiro da vida ou da morte?
#1
Ontem, mais uma vez assistimos a um acto de criminalidade violenta no centro da nossa capital.
Importa, para quem se preocupa com estas “coisas” da segurança, reflectir um pouco.

Os políticos e o mais alto responsável pela segurança em Portugal insistem em começar as suas intervenções públicas citando o Relatório de Segurança Interna de 2007 que aponta para a redução da quantidade de crimes desta índole em Portugal.

Esse registo em número (quantidade) está, em meu entender, desfasado do número (qualidade). Quero com isto dizer que o facto do número de crimes cometidos ter reduzido, não é sinónimo de que os meios e violência utilizada nesses tenha reduzido. Aliás, os mais atentos (e que nada tenham a esconder) verificarão que a tendência para o aumento da violência utilizada intensificou-se nos primeiros meses de 2008.

Daí, se me for permitida a sugestão, os responsáveis Políticos já deveriam, nesta altura do ano, estar a ler e a referir publicamente os relatórios intercalares que lhes vão dar uma visão muito mais autêntica da criminalidade actualmente praticada em Portugal.
Dirão os especialistas em comunicação que não é bom entrarmos em alarmismos securitários que não é aceitável que o Sr. Ministro da Administração Interna ou o Responsável pelo Gabinete Coordenador de Segurança Nacional venham a público dizer que a “coisa está preta”; também não é preciso! As televisões mostram!

Então se os media nos fornecem informação, entre outros actos de violência, de trocas de tiros sustentadas por diferendos racistas, sequestros após agressões a Policias, assaltantes a apontar armas à cabeça de trabalhadores honestos e cumpridores, porque nos querem enganar o Sr. Ministro e o Sr. General com esse discurso de que a criminalidade violenta diminuiu?

Diga-se o que se disser a nossa sorte ainda vai sendo termos Homens e Mulheres nas nossas Polícias (como nos nossos Bombeiros) dispostos a arriscar. Arriscar a sua vida em troca de outros, arriscar a sua carreira em benefício da população que juraram defender.

Enquanto cidadão, já tive a oportunidade de agradecer à PSP pela sua actuação, mas também lhes pedi que não parem de treinar. O desfecho de ontem foi óptimo. Porém, é fácil de prever que garantidamente vai aumentar, no futuro, a violência dos assaltantes em actos idênticos.

Os interpretes destes assaltos não têm a mesma noção do “valor da vida” que a maioria das pessoas. Para eles, perder a vida por uns trocos, para mais vindos, neste caso concreto, do País de onde vêm é indiferente. Saírem do local do crime e irem festejar o sucesso obtido com umas cervejas ou saírem num saco “cinzento” directo para a chapa fria da morgue é exactamente igual. NÃO TÊM NADA A PERDER.

Ao(s) atirador(es) da PSP que ontem imobilizaram os assaltantes da agência do BES em Campolide, deixo a minha solidariedade. Estou convicto que desta vez o sabor do dever cumprido tem um sabor amargo. Estarão decerto a viver um momento difícil. Por muito que se treine, por muito que se motive um agente da Autoridade para estar preparado para este tipo de coisas, tirar uma vida, seja de quem for e em que circunstâncias for, não deixa o autor num estado psicológico confortável. Contudo estou convicto que neste caso o(s) Agente(s) evolvidos têm a solidariedade daqueles que como eu entendem e sabem porque razões não podia ser de outra forma.
Obrigado
Sou, com cordiais cumprimentos
Júlio Santos
Responder
#2
Caro Julio,

Não posso deixar de concordar consigo, relativamente ao aumento dos indices de criminalidade,... que em bom abono da verdade aumentam a "olhos vistos". No entanto, penso que as coisas não podem, nem devem, ser inseridas dentro de contornos politicos, até porque todos sabemos que o partido governamental é o da oposição, relativamente aos seus ideais politicos. Contudo, penso que ainda não estamos perante uma alarme social, relativamente à criminalidade, mas para lá estamos a caminhar se algo não for feito.

Relativamente à acção da PSP e em especial ao GOE, concordo plenamente que é de enaltecer o seu profissionalismo e a sua actuação. E porque estamos em Portugal, todos nós temos consciência que acções daquelas são tomadas em casos extremos, como penso que terá sido o caso. Publicamente só tenho que dar os meus sinceros Parabéns à PSP!

Para finalizar, gostava apenas de reforçar uma ideia lançada pelo Julio que refere, "Os interpretes destes assaltos não têm a mesma noção do “valor da vida” que a maioria das pessoas. Para eles, perder a vida por uns trocos, para mais vindos, neste caso concreto, do País de onde vêm é indiferente. Saírem do local do crime e irem festejar o sucesso obtido com umas cervejas ou saírem num saco “cinzento” directo para a chapa fria da morgue é exactamente igual. NÃO TÊM NADA A PERDER.".
Penso que o Julio tem razão e o combate à criminalidade que assistimos nos dias de hoje, passa também por aqui, revendo a nossa POLITICA de EMIGRAÇÂO, não querendo no entanto com esta afirmação, responsabilizar só a comunidade emigrante pelo aumento da criminalidade.

Acima de tudo por sermos Portugueses e porque estamos em Portugal, penso que todos juntos devemos lutar para combater a criminalidade!!!

Abraço
Responder
#3
Amigo Júlio.

O que escreveste é a verdade nua e crua da nossa realidade, acrescento ao que dissestes o seguinte, esses senhores ditos de políticos habituaram-se nos seus discursos a dizer que os males não nos atingem só a nós, que na Europa que no mundo, blá..blá.. blá… É verdade sim senhor, o mal é geral, mas já diz o ditado “ Com o mal dos outros, posso eu bem…”
Nós por cá pouco temos feito para prevenir situações similares, vamos sim criando condições favoráveis a que se repitam estes episódios. Começando nas empresas de segurança privada que proliferam que nem cogumelos e pouco lhes é exigido para que os vigilantes tenham formação e treino adequado para prevenir determinadas situações, as forças de segurança batalham permanentemente para ter condições condignas de trabalho, fecham esquadras, outras há sem condições mínimas de trabalhos, policias a dormir em camaratas em alguns casos sem condições, homens aguardam ano após ano na expectativa de transferência para as suas terras, para estarem junto das famílias, agentes da P.S.P e G.N.R sem equipamento adequado e treino regular para confrontar este tipo de situações. Assim não senhor Sócrates, assim não.
Sabemos que os bandidos não são só emigrantes, é verdade, mas também é verdade que alguns desses emigrantes nos seus países de origem foram desde sempre militares e estavam preparados, muito bem preparados para situações de guerra, alguns cá estão entre nós, quando se vêm confrontados com situações de desemprego e o desespero aumenta, “A ocasião faz o ladrão”, ajudar tudo isto, também é de conhecimento geral de que os bandidos quase sempre estão munidos de material bélico melhor do que as forças de segurança, por vezes perdem os bons.
Termino com a seguinte questão: Se o que aconteceu ontem em Campolide se tivesse acontecido na agência da Caixa Geral Depósitos em Murça, quem é que tinha ganho, os bons ou os maus?
Aquele abraço,
Responder
#4
CÓPIA DE UM E-MAIL ENVIADO ÀS REDACÇÕES DA SIC, RTP1 e TVI
Até admito estar errado, mas estou com a sensação de que, a exemplo de outros crimes ocorridos em Portugal e que envolvem estrangeiros, estamos, mais uma vez, a assistir aos nossos órgãos de informação a desculpabilizar os criminosos!?

Refiro-me aos dois assaltantes que fizeram reféns na tentativa de assalto à dependência do BES em Campolide na passada semana que como sabemos um morreu e o outro está em recuperação num hospital de Lisboa na condição de preso preventivo.

Contudo, as televisões portuguesas têm demonstrado que o que importa é entrevistar as famílias e vizinhos dos criminosos e fazer deles, até aquele dia, uns “bons rapazes”: “eles eram trabalhadores! Tiveram um momento de desatinos! Nunca tinham feito mal a ninguém! Até ajudavam as velhinhas da zona, onde residiam, no transporte das compras e bilhas de gás!”.

Por favor senhores Jornalistas parem com este tipo de abordagem. Lembrem-se que quem se predispõem a assaltar um banco (ou qualquer outro tipo de assalto) para começar uma nova vida num país mais pobre (creio que era este o caso), é um criminoso e PONTO FINAL!
A menos que eu e vocês que trabalham, pagam impostos e se privam de umas coisas para ter outras, sejamos os criminosos e os bonzinhos são os que agem como estes dois a que nos referimos.

Será que tenho de me sentir criminoso por pertencer a um Pais que tem uma Polícia que defende, com os meios que dispõem, os seus cidadãos mesmo que isso implique (infelizmente) a morte de alguém?

Parafraseando um cómico Brasileiro Jô Soares (ainda que a situação não seja propícia): “E O CRIMINOSO SOU EU?” (ele dizia corrupto).

A guerra de audiências devia ter algum respeito por aqueles que ganham a vida honradamente, por aqueles que viram as suas vidas ameaçadas neste acto criminoso, por aqueles que com o fruto do seu trabalho iniciam novas vidas nos seus países de origem.

Tenham algum senso e PAREM com esta campanha de desculpabilização.
Sou, com cordiais cumprimentos
Júlio Santos
Responder
#5
Júlio:
Compreendo perfeitamente a tua indignação, mas do meu ponto de vista não é branqueamento o que os jornalistas estão a fazer, mas sim especulação (como sempre). Já sabes qual é a minha opinião sobre a generalidade da imprensa. Para o jornalismo que se vai fazendo, a boa notícia é a má notícia. Por exemplo neste caso, se tivessem morrido todos (sequestradores e refens) esta má notícia, seria para estes jornalistas a boa notícia! Já viste para quanto tempo dava para especular? Era a equipa no terreno que não soube ajuizar, os snipers que falharam por falta de treino, os refens que deixavam não sei quantos filhos, o MAI que não sei quê, a PSP que organizou mal o cerco, o Estado que tem de dar indemnizações, etc etc! ah e o governo que não dá verbas às forças de segurança, ia-me esquecendo ... já viste o potencial de especulação que isto não teria, neste verão tão insonso que nós vamos tendo? Infelizmente (só para estes jornalistas é claro) o caso resolveu-se muito satisfatoriamente, com limpeza, e com competência digo eu. Assim sendo, o que é que restou para jogar com a emoção das pessoas, já que os poucos (ainda bem) debates não chamaram a atenção de ninguém? Restou a exploração miserável da dor dos familiares dos sequestradores, que pelos vistos são gente simples e trabalhadora, expondo-os de forma nojenta e pública à curiosidade mórbida dos teleespectadores, apelando, como sempre, aos seus sentimentos mais primários. Este tipo de jornalismo tipo CM e 24horas, é bom não esquecer, está aí todos os dias. Não se manifestou só agora. É o mesmo que anda a manifestar-se há muito tempo, divulgando sempre perspectivas catastrofistas a torto e a direito que nunca se verificam (nem vou falar do famoso arrastão de Carcavelos que afinal não passou de um inventão e que serve de paradigma para este tipo de questões). A verdade é que isto não é o Rio de Janeiro ou S. Paulo (longe, muito longe disso ...) e os nossos índices de criminalidade com picos maiores ou menores, estão controlados desde sempre (atrevo-me a dizer e sem medo) graças ás nossas polícias, que nestes casos são normalmente competentes e eficazes.
Só para terminar, segundo o último relatório do Índice Mundial da Paz saído salvo erro em princípios de Junho deste ano, Portugal é o 7º país mais pacífico do mundo, numa lista que analisa vários critérios entre eles o índice de criminalidade e o risco terrorista, lista essa elaborada a partir de dados reunidos pelo departamento de informações Economist, ligado ao insuspeito semanário The Economist.
Aí vai o link:
http://www.visionofhumanity.org/gpi/...rankings/2008/
Responder
#6
Olá amigos o meu nome é Vitor Sénico e sou Segurança Aeroportuário no activo no Aeroporto de Lisboa.
No que diz respeito à criminalidade ter ou não crescido tenho uma opinião muitos particular:
Nem tudo o que se ouve na comunicação social realmente é fidedigno, mas a noticia em si a dar conta de uma ocorrência em alguma parte essa sim é real.
Esses números que vemos na comunicação social só servem para engrossar aqueles aos quais todas as pessoas e organismos desmentem do aumento da criminalidade.
Quantos de nós não temos ocorrências diárias as quais não saem na comunicação social?
Ainda hoje por exemplo tive duas ocorrências as quais são dignas de saírem na comunicação social devido á sua gravidade.
No entanto e porque policias e seguranças são ainda por cima desacreditados pelo poder politico e opinião publica a situação ficou sanada de forma humilhante e caluniosa para vários profissionais.
Essa situação obviamente não poderei divulgar por motivos de sigilo profissional e obviamente condicionado por não efectuar alarme social.
Todos os dias nos Aeroportos temos ocorrências graves e de alguma complexidade as quais por diversos motivos estamos de pés e mãos atados por empresas, organizações governamentais e legislação penal em vigor.
Por parte de agentes do Estado, ( Exemplo, Administração Interna, Inac, etc... ) pedem-nos que efectuemos as denuncias, como se estes já não soubessem dos problemas os quais passamos.
Quando Pedimos um Estatuto de forma a que se possam criar leis orgânicas e deontológicas para a segurança dos aeroportos, somos desacreditados.
A segurança assim como quem gere a segurança em Portugal está de rastos.
Ainda que algumas pessoas percebam alguma coisa de segurança, têm tendência em confundir o lado safety do lado security.
Nunca podemos confundir uma coisa e outra por a finalidade e os seus fins são completamente distintos.
Penso que um grande passo que poderia ser dado para clarificar estas situações seria a de esclarecer legalmente e por decreto próprio o que se entende por Vigilância e por Segurança.
Esta situação pelo que tenho vindo a perceber tem a condicionante do legislador interpretar que fazendo esta distinção poderá estar a por em causa os direitos fundamentais dos cidadãos no que diz respeito á matéria de segurança privada.
Digo isto pois como por exemplo no caso dos Aeroportuários e dos Stwart estão condicionados apenas ao controlo de acessos, não tendo competências para efectuar revistas em qualquer outro local dos Aeroportos ou recintos desportivos e de Espectáculos.
Parece incrível mas se eu no caso Aeroportuário tiver uma suspeita que um passageiro transporta um objecto ilícito no interior do recinto Aeroportuário, só me resta chamar uma autoridade pois não posso revistar esse passageiro.
Já no caso dos Estádios só é permitia a revista no controlo de acessos pois no seu interior e se um vigilante se dirigir a um espectador a fim de verificar se consigo tem qualquer objecto que possa perturbar o evento pondo em perigo a ordem publica este também não o pode revistar.
Outra situação dirá respeito aos Aeroportuários como por exemplo:
Se dentro de uma bagagem for detectado na revista manual uma arma, o vigilante fica condicionado a não poder tocar na mesma sendo que o procedimento normal é chamar uma autoridade para dar conta da ocorrência sendo que a pena se o vigilante agarrar essa arma poder ser acusado de posse de arma ilegal.
Sendo assim e quando detectada uma arma até ser chamada as autoridades os passageiros de alguma forma poderem fazer uso da mesma sem que haja oposição.
Obviamente que muitos dirão:
Se eu acha-se uma arma agarraria essa arma e só depois chamá-va as autoridades.
Outros por outro lado diriam:
Não deixaria o passageiro tocar na mala enquanto não chega-se uma autoridade.
Eu como conhecedor da triste realidade do que se passa no terreno posso dizer que sem me adiantar muito no assunto por motivos óbvios posso dizer que estamos muito expostos sem meio de defesa algum, seja pelo meio legislativo, seja pelo meio pessoal.
Após contacto com algumas entidades foi-me pedido denuncias sobre as ocorrencias.
Obviamente que estas ocorrências não dependem só de mim assim como dos intervenientes pois estes estão condicionados sobre o sigilo profissional, das suas Empresas e até das autoridades.
Falam-se em inconstitucionalidades, mas se olhar-mos bem a segurança como bem fundamental não pode estar condicionada á constitucionalidade das leis pois com isso a maior constitucionalidade é o não preservar a segurança dos cidadãos.
Por isso é que também as forças e os serviços de segurança do Estado estão limitadas a autenticas burocracias legais vendo a sua autoridade enxovalhada perante qualquer cidadão.
Não devemos defender quem por acto próprio tem intenção de praticar um acto de natureza dolosa com fim de prejudicar terceiros.
Tanto as policias assim como a segurança devem poder estabelecer patamares internos os quais possam ter mobilidades mais vantajosas com a intenção de promover a segurança de pessoas e bens.
Muito terei para vos dizer noutras ocasiões e poderei esclarecer alguns mal entendidos os quais tenham interpretado nas minha palavras, peço-vos que se possivel e se assim o entenderem que me façam todas as questões para que em tempo oportuno e no mais curto espaço de tempo vos poça responder
Atenciosamente
Vitor Sénico
Responder


Saltar Fórum:


Utilizadores a ver este tópico: 1 Visitante(s)