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"Tabloide" ou a realidade?
#1
- Assaltantes de carrinha usaram técnicas policiais
- Jovem enfrenta gang e evita carjacking
- Farmácia assaltada em Matosinhos
- Ourives morreu baleado ainda accionou o alarme
- Sindicato diz que PSP não cumpre ordem do Ministro
- Avaria deixa Coletes (à prova-de-bala) fechados no carro patrulha
- Tarouca Roubos em Juntas de Freguesia
- PJ e prisões têm números diferentes de evadidos
- Trio assalta bomba de gasolina no Laranjeiro
- PJ Captura dois evadidos de prisões


Parecem títulos de um “tablóide” ou de um jornal especialista em crimes. Não! São títulos de um jornal de referência no nosso País o “Diário de Noticias”, edição de 21AGT08 estes textos ocupam mais de 4 páginas.

Tudo “material” informativo relativo à insegurança que se vive no País. Em contra-ponto o Sr. Ministro da Administração Interna, na página 59 publicita-nos um Restaurante, onde há sempre peixe fresco e onde ele vai de chinelos. Ou seja, pouco mais do que tem dito nos últimos tempos sobre a onda de criminalidade que tem assolado o País neste verão.

Se efectuar-mos um exercício de memória, facilmente concluímos que este agravamento vem desde o princípio do ano. Dados oficiais, apontam para que no primeiro semestre de 2008 já estão registados (e isto é importante: registados dado que muitos dos crimes não são sequer participados) o mesmo número de crimes violentos que no ano de 2007.

Para aqueles que acreditam e defendem o novo Código Penal e Código de Processo Penal, que com a sua entrada em vigor, vieram aliviar penas para certos tipos de crimes e retiraram tempo à investigação de outros eu gostava de deixar a seguinte questão:
- Não consideram que existe aqui uma relação causa efeito?

A minha resposta é que existe!

Criminalidade sempre houve e haverá, mas convido-os a fazer um exercício:
- Nós, em vez de trabalhadores honestos éramos bandidos. Podíamos circular livremente pela maioria dos países do continente Europeu e/ou então o nosso País de origem tinha com Portugal acordos de extradição favoráveis ao cumprimento de uma eventual pena de prisão e não se preocupava muito em colocar compulsivamente fora do País quem comete crimes; o que faríamos nós? Íamos cometer crimes onde seriamos condenados a pesadas penas, extraditados para o nosso País de origem? Ou ficávamos em Portugal a cometer os crimes onde depois de capturados pelas forças policiais os Tribunais (muito por força da Legislação que entrou em vigor em 15 de Setembro de 2007) nos colocava de novo nas ruas, com apresentações obrigatórias na esquadra da área da nossa residência, que nem tínhamos, porque apresentamos documentos de identificação falsos ao Tribunal?
Claro que só se fossemos palermas é que não ficávamos por aqui neste “Paraíso” criminal à beira-mar plantado.


Ou os Políticos agem rapidamente na revisão destes Códigos ou muito rapidamente Portugal deixa o sétimo lugar de País mais seguro do mundo. Importa referir que esse lugar é obtido pelo número de crimes cometidos. Porém, em Portugal, devido à Justiça que tem muitas vítimas de crimes nem sequer o participam por entenderem que não vale a pena.

Não é o nosso sentir, mas é legitimo que esse sentimento de impunidade também afecte o moral das forças policiais; que após esforços desmedidos não vêem o seu desempenho compensado com o castigo do bandido.

Vide o que sucedeu com os assaltantes de uma bomba de gasolina, onde utilizaram uma arma. A GNR deteve-os (porque o crime envolvia arma de fogo) entregou-os à PJ que os apresentou a Tribunal, foi-lhes decretada a medida de apresentações regulares às autoridades. No dia seguinte já estavam de novo no Tribunal por outros crimes cometidos.
Por favor revejam os Códigos e adaptem as Leis aos índices de criminalidade actual.
Sou, com cordiais cumprimentos
Júlio Santos
Responder
#2
1 - Como não tenho tempo de postar, e amanhã vou para fora do país, deixo aqui para reflexão, este testemunho dum jornalista (à altura na Visão) que foi retirado (com a devida vénia) do seu blogue “Rua da Judiaria”.
2 – Queres que responda à tua pergunta: realidade ou tablóide? Bom, se só tenho essas duas hipóteses respondo sem hesitação e já: tablóide!!!
3 – Pensava que a história do CPP estava ultrapassada, mas a minha resposta para esta outra pergunta é NÃO, não há relação nenhuma entre uma coisa e outra, já dei a minha opinião sobre isso noutro lado deste teu/nosso sítio, e se há indivíduos que são soltos a culpa é dos Juízes que o fazem! É que há muitos que o não fazem, bolas! E já agora se o referido código é causa da onda de criminalidade, vamos então lutar para demitir os responsáveis ou seja: Cavaco, PS e PSD (estes não podem ser demitidos mas então vamos já lutar para não serem eleitos ...) que foram os que pugnaram pela aprovação do dito. Só têm de me dizer como fazem isso garantindo que o nosso sistema democrático se mantém. Se assim não for não contem comigo ...
4 – Dos títulos todos que referencias só um é relevante, o do ourives que morreu baleado. Os outros estão lá para compor o ramalhete, para encher o cenário. E o que é que releva para a chamada “onda de criminalidade” os coletes avariados, os nºs diferentes de evadidos, a captura de 2 deles, o jovem que enfrenta gang e evita carjaking (cheira-me a notícia inventada mas isto sou eu que sou má língua e conheço minimamente o meio ...)? Nada.
5 – Vê lá se te lembras quem perdeu o poder em 1995, e quem foi que utilizou o bendito argumento da onda de criminalidade à saciedade e ganhou as eleições? Pois é ... é o eterno retorno da política e da demagogia.
6 – Pensa lá um bocadinho: não achas que, pelo menos, pelo menos, exageras quando dizes que Portugal é um paraíso criminal à beira mar plantado?
7 – Atenção: não digo que não haja um problema para resolver. Penso no entanto que a situação deve ser analisada sem demagogias e falsidades, sem torções partidárias porque não é hora para fazer jogo político (agora como dantes) e antes com serenidade e firmeza. Diria até que temos capacidade para o fazer porque temos bons polícias, como temos feito ao longo do tempo.
Então aí vai o tal testemunho:

OS MÉDIA E O “CRIME”
No princípio de 1995 as primeiras páginas da Imprensa e as aberturas dos jornais televisivos davam conta de um país à beira de um ataque de nervos. A acreditar nos media, uma intensa onda de criminalidade varria o país de norte a sul, criando um sentimento de insegurança nunca antes experimentado em Portugal. Na revista onde na altura trabalhava foi criada uma “task force” de oito jornalistas – um grupo para o qual fui chamado – com a missão de investigar o fenómeno e, no curto espaço de menos de uma semana, escrever um “dossier aprofundado” sobre a insegurança em Portugal. Dividido o trabalho, coube-me falar com alguns especialistas académicos – leia-se sociólogos –, para tentar perceber que tipo de leitura se podia fazer do fenómeno, e escrever uma peça ilustrativa, de “folclore”, sobre uma noite de sexta-feira passada numa das mais “movimentadas” esquadras de polícia da grande Lisboa.
A análise dos sociólogos com quem falei na altura coincidia com os números oficiais da criminalidade: não existia um aumento de criminalidade, garantiam, mas apenas um aumento da percepção da criminalidade existente. Isto, explicado em poucas palavras, quer apenas dizer que uma notícia de crime na TV propaga o sentimento de insegurança a uma vasta audiência – ou melhor, segundo a análise sociológica: ao fazer eco de um incidente isolado sem qualquer preocupação de enquadramento, uma notícia de crime faz com que o espectador/leitor se identifique com a vítima e, mesmo que esteja a mais de 500 quilómetros do local onde ocorreu o crime, multiplica a sua própria percepção da criminalidade, distorcendo muitas vezes a realidade que o circunda. Esta leitura nem sempre pode ser tomada de um modo literal, uma vez que depende de inúmeros factores, que vão da qualidade do trabalho jornalístico à realidade crua das estatísticas criminais. Mas naquela época, há 10 anos, não podia ser mais exacta, uma vez que os números oficiais chegavam a apontar para um decréscimo da criminalidade.
Convém abrir aqui um parêntesis para abordar brevemente a própria instabilidade destas estatísticas oficiais, uma vez que elas se referem apenas a queixas apresentadas junto das polícias (PSP, Judiciária e GNR) que, de uma forma ou outra, estão elas próprias dependentes de factores diversos, como a “visibilidade” de certos crimes, ou mesmo os custos emocionais que determinada queixa acarreta. Um exemplo concreto: após a abertura e consequente mediatização do Processo Casa Pia, o número de queixas contra pedófilos aumentou exponencialmente, não porque Portugal subitamente se transformara num país de violadores de crianças, mas simplesmente porque o processo em si sensibilizara a sociedade, lançando um holofote intenso para numa área onde as queixas-crime tinham ficado durante décadas muito aquém de traduzir um retrato fiel da realidade social. Outro exemplo é dado pelos casos de violação, onde alterações significativas no Código Penal modernizaram a padronização e enquadramento legal do crime, retirando à mulher violada o estigma que uma legislação quasi-medieval lhe conferira durante séculos. Nestes dois casos, tal como em muitos outros, um crescimento súbito nas estatísticas oficiais do crime não reflecte necessariamente um aumento da prática do crime em si, mas pode simplesmente ser o resultado prático da sua maior visibilidade social.
Regressando a 1995 e à reportagem de fundo sobre a tal “onda de criminalidade”. A menos de dois dias do fecho da edição, passei uma noite numa esquadra da periferia de Lisboa – aquela que supostamente seria a “Hill Street” da capital –, de sexta-feira para sábado, procurando estórias que supostamente ilustrassem a premissa maior do trabalho. Depois de oito horas a deambular por bairros degradados em carros-patrulha, com polícias afáveis dispostos a mostrar a dureza da zona (“isto tem dias”, diziam eles, fazendo questão de acrescentar que “mesmo assim não é tão mau como o pintam”), regressei à redacção com um bloco de apontamentos recheado de nada. Ou melhor, de nada do que se queria para a reportagem em causa. E foi isso que escrevi. O meu texto acabou por não ser publicado, porque simplesmente não se encaixava no fluxo que desde início se pretendera imprimir ao trabalho. A ideia central da reportagem, afinal, não era uma tentativa de perceber se existia ou não uma “onda de criminalidade”. A ideia tinha sido simplesmente a de transpor para as páginas da revista uma versão escrita do que debitavam as televisões. Era o “jornalismo por arrastamento” no seu melhor. E teve direito a capa, na edição 102, de 2 de Março de 1995.
Mesmo assim, gostava de acrescentar que a redacção desta revista foi a mais profissional, competente e democrática em que trabalhei ao longo dos meus 16 anos de jornalismo.
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#3
Meu amigo Zé Paiva
Umas boas e merecidas féria é o que eu te desejo. A tua resposta, como aliás todas as que colocas no nosso fórum são o reflexo de uma análise profunda e realista. Mas neste caso, como nos Códigos, não posso concordar contigo.
Hoje, sabes que o faço todos os dias, li mais uma vez o DN e outras fontes de informação que não as televisões (que vi pouco), eram preenchidas por mais ondas de assaltos, furtos e outro tipo de criminalidade.
Houve uma que me reteve a atenção a que referia um potencial assalto a uma carrinha e transporte de valores junto de uma Agência de um Banco que tu conheces, que afinal não foi…, mas houve pessoas que viram os encapuçados. A polícia fez um cerco e encetou uma perseguição. Afinal, houve ou não tentativa de assalto? Ao banco ou à carrinha? Terá sido mais um arrastão de Carcavelos? Ou será a “máquina” a funcionar para esconder o mais possível?
Junta a isto mais três estações de serviço assaltadas esta noite. Para terminar esta intervenção de que a criminalidade violente e não violenta é uma constante no País ontem quando regressava a casa assisti à detenção de um indivíduo que tentou efectuar um furto de ferramentas através da escalada de um andaime em frente à minha casa num prédio em obras. A tentativa foi frustrada pelos trabalhadores que já estavam “escaldados” e ficaram à espera da repetição e o Polícia Municipal, primeiro a chegar, ainda queria bater nos que tinham “detido” o potencial ladrão, só visto, contado não tem graça.
Em 1995 acredito que os números fossem menos realistas, mas hoje a realidade também está encapotada por falta de denúncias. Existe falta de confiança da população na Justiça, quer em quem a aplica, quer em quem legisla.
Sou, com cordiais cumprimentos
Júlio Santos
Responder
#4
O homicídio é o indicador por excelência (e o mais seguro) da violência, sobretudo porque não sofre distorções devido a uma maior ou menor taxa de denúncia. Seguem dados de 1994 até 2007, dados oficiais. Ao longo destes anos todos passaram vários governos pelo poder, e "aconteceram" várias ondas. Verifica-se que ao longo dos anos há uma evolução que corresponde a uma descida sustentada de cerca de 68%. Se ao longo do tempo e das várias "ondas" o sensacionalismo jornalístico consegue pôr as pessoas a dizer (e a sentir o que é mais grave) o contrário, só posso dizer que este tipo de jornalismo é parte do problema e não parte da solução. A menos que me provem que as estatísticas destes anos todos foram manipuladas por TODOS os partidos que estiveram no poder, bem como pelos responsáveis policiais ... E eu não acredito.

Em 1994 foram registados 424 homicídios. Em 1995, 408. Em 1996 391. Em 1997, 381. Em 1998, 340. Em 1999, 299. Em 2000, 247. Em 2001, 282. Em 2002, 266. Em 2003, 271. Em 2004, 187. Em 2005, 133. Em 2006, 194. E, finalmente, em 2007, 135.
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#5
Meu amigo
Os dados que apresentas são inquestionáveis, mas para um tipo de criminalidade; exactamente aquela que dá mais anos de cadeia. Logo, existem por parte dos meliantes algum “cuidado” em não matar.

Porém, os índices de violência não podem nem devem ser medidos apenas pelo número de mortes.

A violência aplicada até nos pequenos furtos praticados para o consumo de droga como, por exemplo, o caso dos recentes assaltos às farmácias apresenta níveis de violência desmedidos.

Quando se fala de criminalidade e insegurança fala-se mais dos criminosos e responsáveis políticos do que das vitimas.
Porque não morreram, logo não contam para os crimes com morte; consegues convencer com os dados que apresentas uma senhora com cerca de 70 anos que foi arrastada por um motociclista para lhe roubar a mala, porque a alça da mesma lhe ficou presa ao braço?

Consegues com estes números descansar os nossos dois colegas vítimas da tentativa de assalto ao BES de Campolide? E podíamos ficar aqui a colocar questões destas sem fim.
Como li recentemente o que é preciso é efectuar um estudo sociológico das origens de tanta violência por tão pouco e não tanto perder tempo a discutir os números atrás dos quais os responsáveis se escondem.

Por ironia, sabes se temos Ministro da Administração Interna em funções? Ou mesmo Primeiro-ministro? É que tanta confusão em tão pouco tempo e tão poucas palavras, estou a achar estranho.
Sou, com cordiais cumprimentos
Júlio Santos
Responder
#6
Amigo Julio:
Escrevo-te do Brasil, mais precisamente de S. Salvador da Baia. Isto vai sem acentos, porque não atino com o teclado. So para dizer que se estivesses aqui é que ias ver o que é criminalidade. Polícia em todo o lado, telejornais de perfeito terror, recomendações de toda a gente, a começar no hotel (vá por esta rua, não vá por aquela ... etc) e a continuar nos policiais armados (e bem) em cada esquina. De qualquer maneira digo que o Brasil é um grande país com gente muito boa! Estão a acenar-me que tenho de me ir embora.
Um abraço. Foi assim a modos que um modesto cantinho do Brasil hein?
Regresso no domingo.
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#7
A ciminalidade violenta de 2008 está aos níveis de 2006 e ligeiramente acima de 2004 (reportando à actual data do ano). A tão propalada onda de criminalidade, era, afinal, o estado habitual do país em 2006 e 2004. Alguém se lembra desses tempos terríveis? Desses densos anos de chumbo em que sair à rua era correr o risco de lavar com uma bala perdida? Valha-nos Deus e o bom senso ...
Mas ... porque é que os jornais nesses anos, não fizeram qualquer alusão às famigeradas ondas de criminalidade que a avaliar pelos dados, eram semelhantes às deste ano? Mistério ...
No entanto, façamos um pequeno esforço de memória e analisemos: o que acontecia em 2004? Santana Lopes estava no poder, e o que estava na moda era dar porrada no dito senhor. Isto vendia porque toda a gente comprava jornais que traziam as peripécias do dito governo e a iminência da sua queda, desde a oposição (logicamente) aos próprios companheiros de partido do S. Lopes, que eram aliás as principais fontes de informação negativa dos periódicos, interessados também na sua queda. Estavam pois garantidas as tiragens dos jornais, tanto mais que se seguiriam eleições e as respectivas campanhas. E em 2006? 2006 foi um ano de reformulação dos jornais para obstar aos eventuais prejuízos causados pelo surgimento dos jornais gratuitos (existiam já o Metro e o Destak). Assim Expresso, DN e Publico de forma mais visível, mas praticamente todos os outros também, dirigiram os seus esforços para essas reformulações. Acresce que o governo sócrates ainda estava em estado de graça e a meio do mandato, o PSD atordoado praticamente não existia, e a época de incêndios foi normal. Assim sendo, ocupados nas respectivas reformas em 2006, minimizados os efeitos dos gratuitos com algum exito (até porque os mesmos são de facto bastante maus na generalidade com pena minha) estavam criadas as condições para novas "campanhas" pois é preciso vender que a vida está difícil. Esse terreno começou a ser preparado com alguma antecedência com notícias alarmistas de que certamente todos se lembram, dum Verão que iria ser o mais quente de sempre. Esta perspectiva, na lógica jornalística que vamos tendo, constituia um terreno de especulação fabuloso, com tudo o que implicava de mortes de idosos, falta de condições dos serviços de saúde, incêndios gigantescos, dramas humanos, abertura de telejornais, 1ªs capas dos jornais, enfim, o circo que já conhecemos. Porém ... o verão frustou totalmente as jornaleiras espectativas. Urgia então construir um novo cenário ... e aí está ele quase todos os dias em grandes parangonas. Infelizmente parece que quase toda a gente acredita, apesar de todas as estatísticas, todos os nºs, todos os dados, contradizerem a tal onda de violência. Volto a dizer: neste momento, os principais principais culpados da sensação e clima de insegurança em Portugal é dos jornais. Mas digo ainda mais: Esta percepção pública da "onda de criminalidade" e da inerente insegurança, que não resulta duma análise objectiva das estatísticas, está a servir também, para o reforço de determinados poderes. Os políticos, as corporações do sistema de justiça, o MAI, o PGR, já reivindicam mais polícias, mais armas, mais meios, mais dinheiro, mais unidades especiais, etc. e também não será alheio a este facto, a centralização das polícias numa única figura. E, na minha modesta opinião, não havia necessidade, tanto mais que o dinheiro que vai ser expendido (e vai ser de certeza) podia ser canalizado para outros sectores bem mais carenciados.
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